Dias Toffoli se declara suspeito para julgar prisão de Vorcaro
Ministro faz parte da Segunda Turma do STF, que analisará se mantém ou não prisão do banqueiro, estabelecida pelo relator do caso, André Mendonça
Publicado 12/03/2026 16:10 | Editado 12/03/2026 17:10
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), se declarou suspeito para analisar a decisão do ministro-relator André Mendonça, que levou à prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na semana passada. Nesta sexta-feira (13), a Segunda Turma do STF— da qual ambos fazem parte — definirá se mantém ou não a medida de Mendonça.
A declaração de Toffoli ocorreu nesta quarta-feira (11), em despacho no qual havia se declarado suspeito para relatar um pedido apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), cobrando a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara para apurar irregularidades financeiras do Banco Master.
O ministro apontou, então, que “tendo em vista que há correlação entre as matérias objeto daquele feito, declaro a minha suspeição por motivo de foro íntimo, a partir desta fase investigativa”.
Inicialmente, Toffoli havia sido designado relator do Caso Master no STF. Ele deixou a função há um mês, após reunião entre ministros da corte, em meio a pressões resultantes de possíveis conexões entre o ministro e o banqueiro, levantadas pela investigação da Polícia Federal. Tal situação tornou insustentável a sua continuidade na relatoria do caso — no entanto, na ocasião, ele não se declarou suspeito.
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Segundo a PF, foram encontradas menções a Toffoli em mensagens no celular de Vorcaro, apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no ano passado e que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro centrado no Banco Master e seu controlador.
Conforme apurado, Toffoli é um dos sócios do resort Tayayá, no Paraná, comprado por um fundo de investimentos ligado ao Master e investigado pela PF.
Segunda Turma
As turmas são colegiados responsáveis por julgar a maior parte dos processos no STF, com o objetivo de agilizar o andamento e evitar o congestionamento do plenário nas tramitações.
Casos criminais estão entre as competências desses colegiados. Assim, prisões como a de Vorcaro, inicialmente estabelecida pelo ministro-relator, devem, em seguida, ser submetidas à análise dos demais membros da turma.
Com a posição de suspeição assumida por Toffoli, a prisão de Vorcaro será decidida com os votos dos ministros Gilmar Mendes, Luiz Fux e Nunes Marques. A sessão de julgamento será virtual e está agendada para ter início às 11h desta sexta (13).
No que diz respeito ao pedido apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), a relatoria do caso caberá ao ministro Cristiano Zanin, escolhido via sorteio eletrônico após a manifestação de Toffoli.