Abraham Weintraub, o falsificador

“Ele foi reprovado em 9 matérias num tempo recorde de 3 semestres na USP, com direito a nota zero em uma cadeira. Mas a dúvida, por isso mesmo, permanece: como ele pôde avançar até o diploma?”

Quem consulta o perfil de Abraham Weintraub na Wikipédia, logo encontra que ele é graduado em ciências econômicas pela USP e mestre em Administração pela Fundação Getúlio Vargas. Se julgássemos um criminoso pelos lugares onde esteve, essas importantes instituições estariam fritas, flitas, perdidas ou predidas. Aqui, mais uma vez falha o ditado “Dize-me com quem andas e te direi quem és”. Sobre esse ditado, Millôr Fernandes escreveu que Cristo sempre andou com Judas, e no entanto… Não, a USP e a FGV não têm culpa de aparecerem juntas ao Abraham Weintraub que diplomaram.

Mas uma dúvida permanece: como o mini conseguiu o seu diploma? Curioso, entro no seu currículo. Ele foi reprovado em 9 matérias num tempo recorde de 3 semestres na USP, com direito a nota zero em uma cadeira. Mas a dúvida, por isso mesmo, permanece: como ele pôde avançar até o diploma? Se um conhecimento particular pode ser universalizado, respondemos: o ministro pode ter recompensado outros alunos para que fizessem trabalhos em seu nome, e desse modo é razoável supor que tenha falsificado, corrompido, para conseguir um diploma ao fim de seis longos e penosos anos. Que luta!

Compreendam que a hipótese acima não é leviana. Quero dizer, quando vou até o seu Lattes no site do CNPq, o que encontro? No trecho referente a línguas, ele se declara:

PORTUGUÊS – Compreende Bem, Fala Bem, Lê Bem, Escreve Bem.

INGLÊS – Compreende Bem, Fala Bem, Lê Bem, Escreve Bem.

ESPANHOL – Compreende Bem, Fala Bem, Lê Bem, Escreve Razoavelmente”.

Ele mente 3 vezes! Pelo menos 3, se contarmos uma só mentira em cada linha acima. Explico. Se o ministro da educação é um desastre em português, como pode avançar em outras línguas? Até mesmo em um processo maravilhoso, ele ESCREVERIA em outras línguas o que desconhece na própria?! Mas não sejamos preconceituosos. A maravilha poderia ocorrer, se o futuro mini pagasse um ghost-writer para os textos. Continuemos.

Uma ligeira pesquisa sobre os seus feitos aponta que em um ofício enviado ao ministério da economia em agosto de 2019, Weintraub utilizou em duas ocasiões os termos “paralização” e “suspenção”. Após a repercussão negativa, ele afirmou que “erros acontecem”. Entretanto, em maio de 2019, ele já havia trocado o nome do escritor Franz Kafka por “Kafta”. Em junho, tentando se referir aos “asseclas” do PT, escreveu “acepipes”. Em janeiro de 2020, ao responder no Twitter uma nota do então deputado Eduardo Bolsonaro, utilizou a palavra “imprecionante”. Como ele pôde se graduar, tirar um mestrado e ensinar em universidade?

A colunista Thaís Nicoletti publicou na Folha de São Paulo que “erros gramaticais são perdoáveis e muita gente os comete aqui ou acolá. Ocorre, no entanto, que a ortografia, por ser algo que se aprende mais pela leitura do que pelas regras em si, acaba sendo uma espécie de cartão de visita da pessoa que escreve.  Certas falhas denunciam deficit cultural, ausência de leitura, coisa que, aliás, Abraham já demonstrou em outras ocasiões. Confundir o nome do escritor Kafka (conhecido até de quem não o leu) com a iguaria da culinária árabe “kafta” (grafia corrente em restaurantes; na verdade, “cafta”, aportuguesamento do árabe “kufta”) não é algo fácil de relevar”.

Ao que acrescento: além de uma denúncia de falta de leitura, de qualquer leitura, os erros ortográficos e sucessivos do mini demonstram que a esperteza é a sua única especialidade. Ao natural, ele não consegue escrever nem as linhas resumidas de um tuíte. Quando se desculpou pelo zero e reprovações no curso de Economia da USP, ele postou ao fim de sucessivas revisões dos auxiliares, é claro:

“Meus pais se separaram, teve o plano Collor, minha família se desmanchou, eu tive depressão, e sofri um acidente horroroso, tive que colocar parafuso no braço, fiquei seis meses sem poder escrever e só teve um professor que me deixou fazer prova oral”.

Hoje sabemos que ele não ficou sem escrever apenas seis meses. Quanta modéstia. Na verdade, o ministro passou a vida toda sem poder escrever uma só frase. Uma autoridade na educação, enfim, à altura de Bolsonaro. Que tempos e costumes ‘imprecionantes’.

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