Ciência e tecnologia a serviço de quem alimenta o Brasil
Investimentos públicos impulsionam inovação no campo, fortalecem a agricultura familiar, reduzem desigualdades regionais e ampliam a produção sustentável de alimentos.
Publicado 17/04/2026 11:04
A ciência brasileira vive um momento de reconexão com as necessidades reais da população. Mais do que produzir conhecimento de ponta em laboratórios e universidades, o desafio, e também o compromisso, é fazer com que esse conhecimento ultrapasse os limites acadêmicos e chegue onde a vida acontece, como no campo, nas águas e nas mãos das famílias que alimentam o país.
No governo do presidente Lula, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) tem atuado justamente para aproximar a produção científica da vida concreta da população e colocá-la a serviço do desenvolvimento nacional.
No fim de março, demos mais um passo importante nessa direção. Lançamos uma chamada pública que destina R$ 150 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para fortalecer as cadeias socioprodutivas da agricultura familiar e o desenvolvimento de sistemas agroalimentares sustentáveis.
É um investimento estratégico, com recursos não reembolsáveis, organizado em quatro linhas temáticas: bioinsumos, sistemas de produção agroecológicos e orgânicos, soluções digitais para a pequena propriedade rural e aquicultura de espécies nativas.
Estamos falando de apoiar soluções inovadoras para agricultura familiar, com potencial de ampliar a produtividade com sustentabilidade, reduzir custos para quem produz e fortalecer a segurança alimentar do país.
Mais do que uma política pública isolada, essa iniciativa nasce do diálogo. Foi construída em parceria com movimentos sociais e com o Comitê Gestor do Fundo Setorial do Agronegócio (CT-Agro), incorporando demandas concretas de quem produz, especialmente daqueles que historicamente tiveram menos acesso às políticas de inovação.
Outro compromisso central é o enfrentamento das desigualdades regionais. Estabelecemos que, no mínimo, 30% dos recursos serão destinados a instituições das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Porque entendemos que o desenvolvimento precisa chegar a todas as regiões do país.
Esse compromisso já está se traduzindo em ações concretas. Um exemplo é o projeto Sal da Terra, apresentado no Seminário Nacional de Agricultura Biossalina, em Fortaleza. Com investimento de R$ 21 milhões, a iniciativa leva tecnologia ao Semiárido para transformar solos e águas salinizadas em oportunidades produtivas, especialmente na criação de peixes e na produção de alimentos.
Também estamos olhando para a indústria nacional. Queremos potencializar a capacidade do Brasil de desenvolver máquinas e soluções tecnológicas adequadas à realidade do pequeno produtor, reduzindo a distância histórica no acesso à inovação.
A ciência, nesse contexto, é instrumento de transformação. Ao investir em bioinsumos nacionais e na digitalização do campo, o Brasil preserva o meio ambiente, reduz sua dependência externa e amplia o acesso da população a alimentos mais saudáveis.
A gestão do presidente Lula tem clareza de que o desenvolvimento do país depende também do fortalecimento de quem trabalha a terra. Por isso, convidamos as instituições científicas, tecnológicas e de inovação a apresentarem seus projetos até 19 de junho.
O futuro do campo brasileiro passa pela inovação, pela sustentabilidade e, sobretudo, pelo incentivo à agricultura familiar, que faz o alimento chegar à mesa do povo brasileiro, gera emprego, movimenta economias locais, preserva saberes, estimula cadeias produtivas industriais e contribui para um modelo de desenvolvimento mais equilibrado, justo e sustentável.