O fascismo de porrete na mão

O fascismo, no Brasil, está armado, e não parece disposto a baixar suas armas tão facilmente antes de fazer correr sangue.

Há os que temem o uso da palavra, que acreditam que seu uso indiscriminado pode levar à banalização. Entretanto, outro termo não me ocorre. O que vivemos, no Brasil de hoje, é um galope desenfreado do fascismo. A cena de Bolsonaro montando a cavalo em uma manifestação no último final de semana é simbólica: é a cavalgada do fascismo em plena luz do dia.

Mas há outra cena muito mais forte do que ela, que simboliza o grau de violência ao qual estão dispostos grupos de extrema direita Brasil afora. A mulher carregando um taco de beisebol, avançando contra manifestantes pela democracia, vociferando ódio, ameaçando, xingando, diz bem da escalada que vivemos. Não nos enganemos, esses grupos estão dispostos a levar a sua radicalização ao extremo.

Aquela mulher não saiu de casa no domingo com um taco de beisebol apenas para se divertir. Ela estava e continua, de fato, disposta a usá-lo. Ela não hesitará em rachar a cabeça de alguém com aquele taco de beisebol. O fascismo, no Brasil, está armado, e não parece disposto a baixar suas armas tão facilmente antes de fazer correr sangue.

Há os que dizem que cachorro que ladra não morde. Eu prefiro acreditar que cachorro que não morde é aquele que não tem dentes. Todos os demais podem abocanhar a batata da sua perna e arrancar dela um naco de carne. Com um porrete na mão, com armas de fogo na cintura, circulando livremente, os fascistas, cedo ou tarde, espancarão alguém até a morte ou fuzilarão algum manifestante contrário.

Há também quem diga que esses grupos são pequenos, apenas grupelhos dispersos pelo território nacional. Pode ser, mas eles são barulhentos, são extremamente violentos, e podem desencadear uma onda de ações contra instituições e pessoas, descambando facilmente para a violência.

Mais revelador, entretanto, do que a mulher brandindo porrete é o gesto paternal do policial que faz a sua segurança. Porque não podemos achar que a polícia militar fez outra coisa ali a não ser bancar a segurança dos fascistas, enquanto outro grupo partia para um ataque descabido e violento contra os antifascistas. Baixando a cabeça subserviente para o troglodita do Alphaville, protegendo os fascistas e atacando os que defendiam a democracia, a polícia militar, em todos os recantos do Brasil, assume sem disfarces o seu papel. São capatazes do fascismo, se portam como o seu braço militar legal.

Não nos iludamos, se a ruptura na ordem democrática for levada às últimas consequências, a maioria das polícias militares estaduais vai se esbaldar na violência, ombreando com os grupos fascistas paramilitares que já se organizam.

Desde o fim da ditadura não corremos tanto perigo, desde o fim da ditadura não vivemos uma ameaça tão grave. Há um golpe fascista em curso. Ele é cevado nos quartéis, em grupos do Ministério Público, nas polícias estaduais, em grupos de parlamentares, nos agrupamentos fascistas. Seus mais ardorosos defensores estão homiziados no Planalto.

Minimizar a ameaça pode ser um erro fatal para a democracia brasileira. É preciso denunciar com vigor essa tentativa golpista, é necessário organizar a resistência da forma mais ampla possível.

Se não fizermos isso, pode ser que na próxima vez aquela tresloucada senhora mastigando a bandeira dos Estados Unidos, ou outro fascista qualquer, não hesite em descer o porrete na nossa cabeça. A polícia, certamente, estará lá, para terminar o serviço do fascismo, se for necessário.

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