“Pé-frio”, Bolsonaro foi o grande derrotado

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Jair Bolsonaro - Foto: Andressa Anholete-Getty Images

Num típico crime eleitoral, Jair Bolsonaro usou a estrutura do governo para fazer “lives” em defesa de vários candidatos. Ele até batizou de “horário eleitoral gratuito” do presidente. Agora, o pé-frio tenta esconder seu desastre nas urnas. O “capetão” foi o grande derrotado nas eleições municipais deste domingo (15).

Bolsonaro pediu voto para familiares e comparsas, exibiu santinhos e cartazes, distribuiu “colinhas” nas redes sociais e até gravou peças de campanha. Mas parece que a onda fascista sofreu um refluxo nas urnas. Segundo levantamento da revista Veja, “o resultado do esforço revelou-se uma decepção”.

“Mick Jagger da política”

Dos 14 candidatos a prefeito que ele declarou apoio, dois foram ao segundo turno, mas estão capengando: Marcelo Crivella (RJ) e Capitão Wagner, em Fortaleza. Outros três se elegeram em cidades do interior: Mão Santa (DEM) em Paranaíba (PI); Gustavo Nunes (PSL) em Ipatinga (MG); e Divaldo Lara (PTB) em Bagé (RS).

Já no caso dos candidatos a vereador, o fiasco foi ainda maior: dos 59 postulantes a quem ele fez propaganda aberta, só nove foram eleitos. O desastre atingiu até sua ex-funcionária fantasma, a Wal do Açaí, em Angra dos Reis (RJ). Ela mudou de nome e apareceu na urna como Wal Bolsonaro. Mas recebeu apenas 266 votos.

Como ironiza a revista Veja, “foi na disputa às prefeituras, no entanto, que o presidente confirmou o apelido que ganhou nas redes – o ‘Mick Jagger da Política’, em referência ao roqueiro ‘pé frio'”. O tombo de Celso Russomanno em São Paulo, que começou em primeiro e terminou em quarto lugar, é o mais emblemático.

Carluxo deixa gosto amargo no clã

A revista lembra ainda da “candidata à prefeitura de Recife, Delegada Patrícia (Podemos), que declarou ao lado do presidente que iria ‘varrer a esquerda’ na capital pernambucana, e amargou a quarta posição, com 13,6% dos votos”. Já em Manaus, o Coronel Menezes (PSC) terminou na quinta colocação, com 11,32%.

O terceiro desastre lembrado é o da capital mineira. “Em Belo Horizonte, o candidato Bruno Engler (PRTB) não fez nem cócegas no prefeito Alexandre Kalil (PSD), reeleito em primeiro turno. A derrota dele confirmou a máxima de que os radicais bolsonaristas podem até fazer barulho nas redes, mas têm poucos votos”.

Para atazanar o “capetão”, a Veja fustiga: “Um dos maiores termômetros para Bolsonaro era a eleição de seu filho Carlos… Mesmo com todo o apoio do presidente, Zero Dois perdeu votos em relação ao pleito passado e a posição de vereador mais votado para Tarcísio Motta (PSOL), o que deixou um gosto amargo no clã”.


Levantamento da Veja sobre o desempenho dos candidatos do “capetão”:

Postulantes a prefeitura não eleitos

Celso Russomanno (Republicanos) – São Paulo

Bruno Engler (PRTB) – Belo Horizonte

Delegada Patrícia (Podemos) – Recife

Coronel Menezes (Patriota) – Manaus

Oscar Rodrigues (MDB) – Sobral

Júlia Zanatta (PL) – Criciúma

Doutor Serginho (Republicanos) – Cabo Frio (RJ)

Morgana Macena (MDB) – Cabedelo (PB)

Postulantes a prefeito eleitos no primeiro turno

Gustavo Nunes (PSL) – Ipatinga (MG)

Mão Santa (DEM) – Parnaíba (PI)

Divaldo Lara (PTB) – Bagé (RS)

Postulantes a prefeito que passaram ao segundo turno

Marcelo Crivella (Republicanos) – Rio de Janeiro

Capitão Wagner (PROS) – Fortaleza

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Um comentario para "“Pé-frio”, Bolsonaro foi o grande derrotado"

  1. Darcy Brasil disse:

    Tenho uma avaliação ligeiramente diferente, não sobre a derrota de Bolsonaro, mas sobre os vencedores desse pleito. Primeiro, para mim, o grande vitorioso destas eleições foram os golpistas de 2016, apesar da redução do peso relativo do PSDB e do MDB. Vale lembrar, para além das análises em termos das agremiações eleitoreiras da direita, que simulam uma falsa fragmentação do campo representativo das elites, o que conta é o caráter de classe do Estado, e sua capacidade de produzir fatos ajustados aos seus interesses. A Globo (os grupos da mídia empresarial tradicional) e o DEM foram os maiores beneficiados pelos resultados das eleições, sendo ambos legítimos representantes da plutocracia financeira, que sabe poder contar com eles para encaminhar a defesa de sua agenda neoliberal. A vitória do DEM não ocorreu por obra do acaso. Ela resultou de vultoso esforço envolvendo recursos financeiros e midiáticos para que ocorresse, com o propósito de afastar Bolsonaro da cena política, sem permitir que o PT se recuperasse dos efeitos do golpe de 2016 e edificando um poderoso bloco de centro direita com grandes chances de vencer as eleições de 1922. De certa forma, os resultados das eleições municipais revitalizaram as forças articuladoras do golpe de 2016, que jamais pretenderam a vitória de Bolsonaro, mas um governo neoliberal, no plano da economia, e liberal, no plano dos costumes,e que pudesse, por conta disso, ser chamado de “democrático” e não fascista, como nos referimos ao governo Bolsonaro. A esquerda continua sendo instruída por projetos eleitorais institucionais que,na mídia, têm sido vocalizados por Lula, Ciro Gomes e Flávio Dino. Com isso, continua se comportando, conscientemente ou não, como “mercadores de ilusões”. A única saída para a esquerda que deseja, de fato e não somente em palavras, transformar o Brasil, é a que dá prioridade à luta não institucional, tal como se fez de 1978 a 1994, quando essa luta essencial começou a ser sistematicamente rebaixada em nome da ilusão de que a eleição de um Presidente da República seria capaz de substituir a luta de massas para realizar um programa popular e democrático. Sempre defendi e defendo a participação nas eleições, com o propósito de eleger nomes de vereador a Presidente. A minha discordância se relaciona à relação de subordinação entre luta institucional e luta não institucional, de massas, travada no dia a dia, sob múltiplas formas. Por sinal, é o fato de ser Boulois associado ao movimento social que mais se aproximou desse combate nas ruas da ordem neoliberal fascista implementada pelo governo Bolsonaro que explica o seu êxito eleitoral. E, se eleito for, será a sua capacidade de se articular a essa luta social para enfrentar processos de isolamento e neutralização de govrrnantes de esquerda, como aquele que se fez, no passado, contra Erundina, que será responsável pelo seu sucesso como prefeito.

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