Do tempo em que fumar fazia mal

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Ilustração: Tainan Rocha

É bem sabido, por fumantes e não fumantes, que nas costas dos maços de cigarros vão estampadas advertências, das mais apelativas é verdade, a respeito dos males causados à saúde por conta deles:

Simplórios bastonetes de nicotina (e tantas outras drogas e químicas contidas ali).

Só que agora, a coisa por aqui anda assim… tão estrambólica, tão absurda e insana, que me dou ao direto da pachorra do pensar de forma absurda também:

Que mal há… num câncer de pulmão? Hein? Que mal há?

Que mal é esse, se comparado ao mal oriundo do crápula que figura de apresentador do freak show nacional? Cusparando perdigotos intermitentes de fezes, que lhe saem da cabeça diretamente através da boca. Isso é mal, minha gente!

Aproveito então e faço-lhes o convite do pensar absurdo cá em minha companhia:

Afinal, que mal há, em pobres cigarrinhos?

Estes, à medida que nos levam embora de forma invisível e relativa a saúde do corpo,  ao menos nos deixam em troca mini prazeres à alma.

Seja logo após o sexo, ou o almoço e em parceria com o café. 

Seja para ajudar a passar o tempo no ponto, ou retardar o stress do dia de firma.

Logo, me é impossível controlar a condolência pelas embalagens. 

Teriam elas, a coragem de sair às prateleiras dando as suas caras desnudas, sabendo que há tal aviso maléfico pregado em suas costas? 

Eu duvido, e muito!

Como na época da escola, em que vira e mexe, sacaneavam-se os colegas de turmas com frases do tipo “me chute” pregado com durex numa folha de caderno na bunda.

Quem, em sã consciência e ciente de tal ato vil, sairia da sala e desfilaria no pátio à mercê de solas alheias? 

Sem mais, fecho isto aqui com um singelo apelo: 

Que os jornais televisivos, a partir de então ou enquanto durarem os estoques de notícias tão ruins, carregadas de tantos males, que esses também passem a usufruir da decência de vir com tais avisos. Só que não no fim, nas costas. 

Não, não! 

Deveriam, tais advertências, aparecer logo de cara. 

“Atenção! Assistir ao jornal causa males irreparáveis à saúde mental e emocional.”

Portanto, fiquem em suas casas se assim puderem ficar. Mas com as TVs desligadas.

Economia de energia e vida garantidas.

Ou o seu câncer de volta.

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