Num governo atolado de contradições, mas abertamente pró-Estados Unidos, só faltava um membro do primeiro escalão contrariar de frente a linha ultraliberal do ministro Paulo Guedes (Economia) e a submissão à Casa Branca. Agora, não falta mais. Principal porta-voz do agronegócio na gestão Bolsonaro (PSL), a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, defende subsídio estatal no setor primário, parceria com a China e “briga dura” com os Estados Unidos. Tudo em nome de sua base ruralista.
O governo Bolsonaro é generoso com seus parentes e amigos. O filho do vice-presidente, Hamilton Mourão, triplicou o salário no Banco do Brasil (R$ 36 mil). A empresária Leticia Catelani, amiga de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, descolou um empregão na Apex (R$ 43 mil). Agora, Bruna Luiza Becker, amiga do assessor internacional de Bolsonaro, Filipe G. Martins, foi nomeada assessora do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodrigues e vai ganhar R$ 13 mil por mês.
Os aliados do governo Bolsonaro começaram o dia alarmados com outra reportagem-bomba da Folha de S.Paulo: é cada vez maior a suspeita do uso de laranjas pelo PSL nas eleições para deputado. Uma candidatura de fachada à Câmara Federal, a de Lourdes dos Anjos (PSL-PE), recebeu R$ 400 mil do fundo partidário e teve apenas 274 votos.
Desde que tomou posse no Itamaraty, em 2 de janeiro, com um dos discursos mais prolixos e enfadonhos na história da República, Ernesto Araújo deixou clara a vocação para a retórica pretensiosa. Se a péssima repercussão de sua estreia como ministro de Relações Exteriores do governo Bolsonaro o inibiu, foi temporariamente.
O Planalto se prepara para uma nova cruzada – e o alvo não é nem a Previdência, nem a criminalidade. Desta vez, o governo quer conter o suposto avanço da Igreja Católica na liderança da oposição a Jair Bolsonaro, no vácuo da derrota dos partidos de esquerda. Na avaliação da equipe do presidente – com ares de “teoria da conspiração” –, a Igreja é uma tradicional aliada do PT e está se articulando para influenciar debates antes protagonizados pelo partido no interior do País e nas periferias.
Não é mesmo, como parece, um simples jogo político combinado entre Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão. Já se fala, mas não se sabe como e por que o conflito começou.
Por Maurício Dias, na CartaCapital
Com receio de pedir licença da Presidência e deixar seu cargo com o cada vez mais imprevisível vice-presidente, Jair Bolsonaro (PSL) praticamente paralisou o governo federal. As complicações no processo de sua recuperação, após a cirurgia, frustraram até mesmo os planos de transferir temporariamente o centro de comando do país para um escritório improvisado no hospital Albert Einstein, em São Paulo.
A mensagem do presidente da República, Jair Bolsonaro, ao Congresso destacou sete reformas econômicas: 1. Reforma tributária; 2. Privatização; 3. Liberalização comercial; 4. Redução dos subsídios; 5. Autonomia formal do Banco Central; 6. Reforma administrativa; e 7. Reforma da Previdência.
Por Paulo Nogueira Batista Jr., na CartaCapital
Bastou um mês para que as pessoas mais avisadas percebessem que Jair Bolsonaro e seus aliados mais próximos não têm preparo nem estatura para governar um país com 210 milhões de habitantes, que está dividido e destruído moralmente, literalmente caindo aos pedaços.
Por José Luis Fiori*, no site do INEEP (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis)
A tentativa da base bolsonarista de ressuscitar o projeto Escola sem Partido na Câmara dos Deputados, em termos ainda mais duros, levou a oposição a apresentar propostas alternativas. Se nos últimos anos os deputados conservadores dominarem o debate, agora a oposição parte para uma nova estratégia.
Representantes de comunidades quilombolas têm se articulado junto a parlamentares do Congresso Nacional para tentar alterar trechos da Medida Provisória (MP) 870, editada por Jair Bolsonaro (PSL) após a posse presidencial. Ao reformular a estrutura administrativa do Poder Executivo federal e reduzir de 29 para 22 o número total de ministérios, a MP também realizou uma redistribuição de competências que atingiu interesses sociais e populares.
Na carta que enviou ao Congresso Nacional para a abertura do ano legislativo na segunda-feira (4), o presidente Jair Bolsonaro deixou claro que não pretende encerrar tão cedo a campanha eleitoral do ano passado. Em outras palavras: não faltará trabalho nos próximos quatro anos às agências de checagem de fatos.
Por Laura Carvalho*