Demonstrando repúdio à aprovação pelo parlamento das medidas que asfixiam os trabalhadores do país, manifestantes foram às ruas de Atenas e sofreram forte repressão por parte forças policiais, destacadas para "limpar" a região próxima da praça principal de Atenas.
Em meio a inúmeros protestos massivos, o Parlamento grego aprovou, nesta quarta-feira (29), um novo pacote de “medidas de austeridade”. A votação foi encerrada com 155 votos a favor, 138 contra e sete abstenções ou faltas — o governo precisava de uma maioria simples, de 151 dos 300 votos da Casa. Uma nova votação deve ser realizada nesta quinta-feira (30), agora para definir como o ajuste fiscal será implantado.
Os principais sindicatos da Grécia iniciaram nesta terça-feira (28) uma greve geral de 48 horas em repúdio às medidas de austeridade propostas pelo governo. O movimento recebe a adesão de diversas forças de esquerda do país, entre elas, dos militantes do Partido Comunista Grego (KKE). Na segunda-feira (27), o primeiro-ministro grego, George Papandreou, discursou pedindo apoio para a aprovação das medidas que devem ser votadas no Parlamento até quinta-feira (30).
As mídias, as consultorias, os economistas, os bancos de investimentos, os presidentes dos bancos centrais, os ministros de fazenda, os governantes não fazem outra coisa que falar da "crise grega".
Por Atilio Boron, no Rebelión
As Bolsas de Valores asiáticas fecharam em baixa nesta segunda-feira (27), com os investidores nervosos antes da votação de impopulares medidas de austeridade na Grécia, algo que pode aumentar as dúvidas sobre a estabilidade financeira na Europa.
O Parlamento da Grécia deverá votar na próxima quarta-feira (29), o crucial plano de austeridade de cinco anos, que soma 28 bilhões de euros, informou uma autoridade parlamentar. "O cronograma foi finalizado e o pacote será votado no meio do dia na quarta-feira", disse a fonte. "O debate vai começar na segunda-feira e continuará até a manhã da quarta-feira, com a votação ocorrendo depois disso", acrescentou.
A decisão dos ministros das Finanças europeus, de condicionar o empréstimo emergencial de 12 bilhões de euros à aprovação de medidas de austeridade e privatizações pelo Parlamento da Grécia, seria racional e crível sob o argumento de que a Grécia teria mais a perder com uma moratória do que a zona do euro em si. Ou, para dizê-lo de outra forma, ameaças só valem a pena se os que as fazem podem de fato levá-las a cabo.
Documentário, com legendas em espanhol, foi distribuído livremente pela internet, com a intenção de analisar as causas da crise e da dívida na Grécia – de resto, hoje, uma crise europeia e global.
O Partido Comunista da Grécia (KKE) conduz com exemplar determinação a resistência do povo grego. Nessa resistência desenha-se a alternativa. O seu protagonista “não será o povo num sentido vago, mas a frente unida e a aliança dos trabalhadores, dos independentes, dos camponeses, dos estudantes e das mulheres, saída da classe operária e das camadas populares”.
Caso a Grécia consiga recrudescer ainda mais os cortes nos salários e programas sociais, receberá uma ajuda ainda maior, prometeram os ministros de finanças dos países da zona do euro, que afirmam poder entregar aos gregos 12 bilhões de euros caso recrudesçam as medidas
Enquanto a UE (União Européia) e o FMI (Fundo Monetário Internacional) deram um ultimato à Grécia, exigindo que metas de austeridade sejam implementadas, multidões de manifestantes portestaram contra as mesmas no domingo (19). Trabalhadores do setor elétrico entraram em greve e pode haver blecautes em algumas regiões do país.
As Bolsas de Valores asiáticas voltaram ao vermelho nesta segunda-feira (20), depois que os ministros das Finanças da zona do euro adiaram a decisão de conceder empréstimos emergenciais para a Grécia, reduzindo esperanças de uma solução rápida ao impasse político.