A bem-sucedida mediação brasileira no equacionamento de uma solução para os atritos do Irã com a comunidade internacional pela questão da energia nuclear pode ter desdobramentos importantes na área do petróleo, segundo especialistas ouvidos pelo Jornal do Brasil.
"Se eu estivesse em Washington, correria pela Avenida Pennsylvania, desde a Casa Branca até o Capitólio, com uma grande bandeira brasileira, como fazem os jovens que invadem a Avenida Paulista em São Paulo durante uma partida de futebol, gritando 'Gooooool!'". Quem escreve é o economista americano Robert Naiman.* Veja a íntegra.
O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, disse nesta terça-feira (18) que o acordo sobre a transferência de urânio do Irã deve ser ampliado. Segundo ele, questões como a manutenção do direito ao enriquecimento a 20% do produto devem ser abordadas em uma segunda etapa das negociações. Para Garcia, é necessário considerar que houve um avanço e foi negociado um crédito de confiança entre o Irã a comunidade internacional.
A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, veio a público nesta terça-feira (18) para insistir mais uma vez na aplicação de sanções contra o Irã, por causa do programa de energia nuclear conduzido pelo país persa. A administração Obama procura assim retirar a importância das negociações que conduziram o Irã a fechar um importante acordo no último fim de semana com o Brasil e a Turquia sobre a questão nuclear.
O governo da China, um dos cinco países com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), anunciou nesta terça-feira (18) ser favorável ao acordo para a troca de combustível nuclear iraniano em território turco, assinado na segunda-feira por Irã, Brasil e Turquia.
“O acordo aponta para o caminho das soluções negociadas entras as nações contra as soluções impostas por aqueles que imaginam ter capacidade de determinar os rumos de cada país”. Assim avalia o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), membro da Comissão de Relações Internacionais da Câmara, o acordo anunciado entre Brasil-Irã-Turquia. O resultado do acordo foi elogiado por outros parlamentares, que também destacaram o papel do Brasil na condução do acordo.
O consultor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e assistente do presidente da Eletronuclear Leonam dos Santos Guimarães afirmou ao Opera Mundi que o acordo entre Brasil, Irã e Turquia é satisfatório e que o ceticismo das potências mundiais “não faz sentido”. Segundo ele, o Irã não tem estoque de urânio que o habilite a construir armas nucleares.
Os acontecimentos e notícias empolgantes que chegam de Teerã, de acordo afinal firmado, que pode ter evitado crise global em torno do programa nuclear iraniano é desenvolvimento altamente positivo para todos – exceto para os que, em Washington e Telavive, estavam à procura de qualquer pretexto para isolar ou atacar o Irã. Também marca o nascimento de uma nova força altamente promissora no cenário mundial: a parceria Brasil-Turquia.
por Stephen Kinzer, The Guardian, UK
Estes são os principais termos da "declaração comum" de dez pontos assinada nesta segunda-feira por Irã, Turquia e Brasil, que estabelece uma troca de combustível em território turco para tentar pôr fim à crise nuclear iraniana:
O acordo anunciado entre o Brasil, a Turquia e o Irã em torno da questão nuclear é um importante passo no sentido de uma solução mais ampla para a complexa questão. Em primeiro lugar, ficou patente que a guerra de agressão e as sanções bilaterais ou multilaterais contra um país soberano são propostas correspondentes aos interesses de potências imperialistas cuja política externa é essencialmente contrária à paz mundial e à segurança internacional.
por José Reinaldo Carvalho*
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou na manhã desta segunda-feira (17) que houve acordo sobre a questão da energia nuclear do Irã. O acerto prevê que o Irã entregará 1.200 quilos de urânio à Turquia e receberá 120 quilos do produto enriquecido com monitoramento de organismos internacionais. O acordo entra na história como uma das mais emblemáticas vitórias da diplomacia brasileira e projeta o Brasil e o presidente Lula como protagonistas de primeira linha na política global.
O ministro de Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, disse neste domingo (16) que foi uma acordo foi obtido entre Irã, Turquia e Brasil sobre a troca de urânio com baixo enriquecimento por combustível nuclear, decisão que pode por fim momentâneo às pressões que Estados Unidos e seus aliados contra o programa de energia nuclear do Irã.