Ex-ministro Alexandre Padilha, um dos idealizadores do Mais Médicos, diz que sistema de saúde brasileiro vinha aprendendo com profissionais cubanos e que mais pobres serão os mais afetados pelo fim da parceria com Cuba.
O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) divulgou nota nesta quinta-feira (15) sobre a saída dos profissionais cubanos do Mais Médicos em razão das mudanças drásticas que Jair Bolsonaro anunciou no programa. O Cebrapaz ressalta o trabalho abnegados e solidário dos cubanos, que receberam grande aprovação dos usuários e por isso volta para Cuba de cabeça erguida e cercados de carinho do povo brasileiro.
Uma tragédia para a vida e a saúde de 30 milhões de brasileiros.
Por Arthur Chioro*
"O Mais Médicos fez eu me apaixonar pelo serviço público. De minha parte, seguirei defendendo um sistema público, universal, gratuito e de qualidade para todas as brasileiras e brasileiros. Aos médicos cubanos, vocês nos mostraram que um caminho para isso é possível com afeto e humanidade".
Por Lara Stahlberg*
A Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) divulgaram nota alertando para os “irreparáveis prejuízos” causados pela saída dos cubanos do programa Mais Médicos em razão das mudanças drásticas que Jair Bolsonaro quer impor e que levaram Cuba a interromper a cooperação. As entidades alertam que as perdas maiores serão para os mais pobres e pedem que o futuro governo reveja posição e mantenha, em caráter emergencial, as atuais condições.
Nesta quarta-feira (14), chegou ao fim o acordo entre os governos do Brasil e Cuba que possibilitou a colaboração de médicos cubanos no território nacional. Ratificado em 2016, o programa Mais Médicos atendia 4.058 municípios de todo o país. Lideranças políticas rechaçaram postura de Jair Bolsonaro que já prejudica a diplomacia do País antes mesmo de tomar posse como presidente da República.
Iberê Lopes*
Para a deputada estadual Manuela d’Ávila (PCdoB) a saída dos profissionais cubanos do programa Mais Médicos afetará famílias pobres, crianças necessitadas e velhos em desamparo. A parlamentar pediu desculpas aos cubanos e registrou a solidariedade que eles sempre dedicaram aos povos do mundo.
Em declaração emitida pelo Ministério da Saúde Pública da República de Cuba nesta quarta-feira (14), o governo cubano anunciou a retirada dos médicos deste país que fazem parte do programa “Mais Médicos”.
Jair Bolsonaro nem assumiu o poder e já começou a provocar retrocessos. Na mesma semana em que a ONU repudiou o bloqueio imposto contra Cuba, ele disse em entrevista ao Correio Braziliense que pretende romper relações Cuba.
O Mais Médicos completa 5 anos em 2018 e o saldo do programa é extremamente positivo, avaliou o ex-ministro da Saúde Arthur Chioro. A iniciativa levou acesso à atenção básica para 24,6% da população brasileira, melhorou a qualidade no atendimento e, por isso, viu as solicitações de adesão ao programa aumentarem. Mas, apesar do sucesso, as despesas executadas do governo ao programa caíram de R$ 3 bilhões em 2017 para só R$ 1,9 milhão em 2018.
Por Verônica Lugarini
Depois de 913 municípios manifestarem interesse em aderir ao Programa Mais Médicos, por meio do edital lançado em agosto, o Ministério da Saúde informou que haverá alteração nas regras para a distribuição dos profissionais pelos municípios.
Em Havana, a sergipana Sandra Glaucia da Conceição realizou o sonho de estudar medicina. Com o programa Mais Médicos, veio a oportunidade de retornar ao Brasil e fazer diferença na vida de uma comunidade carente.