Para ex-presidente da Petrobras, Brasil envolveu-se em uma disputa geopolítica e golpe ajudou a destruir um projeto nacional.
Por Vitor Nuzzi
Nem a crise financeira mundial conseguiu causar tanto estrago na indústria brasileira quanto o caos gerado pela política de preços da Petrobras. De acordo com estimativa do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), a produção industrial no mês passado teve o pior desempenho de sua história, registrando queda de 13,4% na comparação com abril. O resultado está associado à greve dos caminhoneiros, motivada especialmente pelo alto preço do diesel.
O jornal O Globo publicou, no dia 20 de junho, um editorial afirmando que a indústria de petróleo é marcado por 'padrão colonial'. A AEPET – Associação dos Engenheiros da Petrobras contesta. E contesta com dados. Em carta assinada por Felipe Coutinho, presidente da associação, a afirmativa de que a Petrobras tem competência indiscutível, e ela pode ser aferida por parâmetros internacionais.
Em mais um ato de lesa pátria, a Petrobras divulgou oficialmente, na última segunda-feira (25), que fez um acordo com investidores norte-americanos, acionistas e detentores de títulos da estatal, para tentar acabar com uma ação coletiva contra a empresa.
Em texto publicado no seu site nesta segunda (25), a Federação Única dos Petroleiros (FUP) chama a atenção para a possibilidade de faltar gás de cozinha em algumas regiões do país. Segundo a entidade, a decisão da Petrobras de reduzir a produção em suas refinarias pode levar ao desabastecimento.
Em entrevista ao Brasil de Fato, o professor de economia da Universidade Federal da Paraíba e integrante do grupo de estudos sobre globalização e crise na economia brasileira, o Progeb, Nelson Rosas, disse que o que existe por trás da política de preços adotada pelo governo Michel Temer e a direção da Petrobras "é o interesse de privatizar" a estatal.
Ao aprovar o Projeto de Lei (PL) 8.939/2017, que autoriza a Petrobras a negociar com as multinacionais petroleiras 70% da área de “cessão onerosa”, no pré-sal, a Câmara dos Deputados “fecha o ciclo de toda entrega do pré-sal ao capital internacional”, diz o coordenador-geral licenciado da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel.
A Cessão Onerosa foi a forma encontrada pelo governo em 2009/2010 de capitalizar a Petrobras para a exploração e desenvolvimento do pré-sal, que é a maior província petrolífera descoberta em mais de 35 anos. Antes disto, o Mar do Norte teve sua primeira descoberta comercial com Ekofisk em 1969 e pré-sal de Santos foi descoberto em 2006 com Parati (1-RJS-617D) e comercial com Tupi (1-RJS-628A) descobridor de Lula.
Por Ana Patrícia Laier*
Representantes dos petroleiros, especialistas no setor de energia e parlamentares da oposição e da base do governo contrários ao Projeto de Lei (PL) 8939/17 – que permite à Petrobras vender até 70% dos seus direitos de exploração de petróleo do pré-sal na área cedida onerosamente pela União – pretendem dar continuidade à mobilização para impedir a aprovação da matéria.
A Petrobras nada na contramão do mercado das grandes petroleiras estrangeiras e irá beneficiar empresas estrangeiras e prejudicar o consumidor brasileiro com sua decisão de vender quatro refinarias. A análise é de Dayvid Bacelar, coordenador-geral do Sindipetro na Bahia e também diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP).
Aprovado nesta quarta (20) pela Câmara, o projeto 8.939/2017 – que permite à Petrobras transferir a outras empresas até 70% dos direitos de exploração de áreas do pré-sal sob o regime de cessão onerosa – é um ataque à soberania do país. A avaliação é de Divanilton Pereira, da Federação Única dos Petroleiros (FUP). Para ele, a mudança só beneficia as multinacionais.
Por Joana Rozowykwiat
Um lamentável gol contra os interesses do povo brasileiro foi marcado pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (20), com a aprovação da permissão para que a Petrobras venda áreas do petróleo pré-sal que estavam reservadas para serem exploradas pela empresa nacional. A avaliação é do deputado federal Chico Lopes (PCdoB-CE), que repudia o fato de a medida de enorme repercussão para aís, ser colocada para votação pela Mesa Diretora da Câmara e aprovada a toque de caixa, em plena Copa do Mundo.