Nágyla Drumond: Uma certa Tereza

 Por *Nágyla Drumond

A tristeza nos invade por completo. A morte de Dona Tereza Zaranza é um baque muito grande em tempos em que a militância é tão criminalizada e estabelecida, muitas vezes, apenas como forma de sobrevivência financeira. Dona Tereza era militante de muitas lutas, ao mesmo tempo. Pelo direito à comunicação, pelo direito à moradia, pela vida e pela saúde das mulheres. De tantas Terezas, Joanas, Franciscas e Marias que são acometidas, todos os dias, por esta doença que invade nossas vidas, como se tivesse vida própria e nos faz adoecer, também, de tanto sofrimento em ver que a gente ama lutar, lutar e, infelizmente, não conseguir vencê-la. Dona Tereza lutou muito e com ela, toda a sua família, que não mediu esforços para cobri-la de amor e atenção nessa dura caminhada.

Tereza era de um tipo de mulher determinada, forte, corajosa, lutadora, amiga e de uma solidariedade inigualáveis. Dona Tereza era bacana demais! Seu sorriso sincero, sua voz rouca, seu jeito sóbrio e marcante fazia dela uma dessas figuras que levaremos conosco, em nossa memória, em nossos corações. Seu semblante e sua postura serenas e firmes demonstravam o quanto ela,ainda, tinha para viver conosco. O quanto ela ainda podia continuar a fazer aquilo do qual ela mais se orgulhava: lutar, organizar o povo, politizar as mulheres!

O dia de hoje é realmente muito triste… Mas, fiquemos com a lembrança daquele grande sorriso em nossas vidas!

Viva Tereza Zaranza!

*Nágyla Drumond – Socióloga. Professora Universitária. Secretária Estadual de Movimentos Sociais do PCdoB. Integra a Coordenação Estadual da UBM/Ce e preside o Centro Socorro Abreu.