Congresso dos EUA começa debate sobre ataque à Síria

O Congresso dos Estados Unidos reinicia suas sessões oficialmente nesta segunda-feira (9), depois do recesso de verão de mais de cinco semanas, e abordará uma agenda complexa, com o tema sírio em primeiro plano. 

O presidente Barack Obama enfrenta dificuldades para convencer os membros do Capitólio a apoiar seus planos de atacar militarmente a Síria.

No Senado apenas 23 de seus 100 integrantes apoiam a medida, enquanto cerca de 50 senadores se mantêm indecisos, e outros 16 dizem que são contra.

Na Câmara de Representantes 225 de seus 435 integrantes disseram que rechaçam a medida ou se inclinam nesse sentido, apenas 25 aprovam e 185 permanecem indecisos, de acordo com uma pesquisa realizada pelo diário The Washington Post.

O chefe da maioria democrata no Senado, Harry Reid, apresentou formalmente na sexta-feira (6) o projeto de resolução aprovado no Comitê de Relações Exteriores da Casa, que autoriza o uso da força durante um período de até 90 dias.

Reid pretende convocar uma votação preliminar sobre o tema no plenário do Senado para a quarta-feira (11) e a deliberação final nessa instância seria no final desta semana, enquanto a Câmara de Representantes decidiria em 16 de setembro.

O chefe da maioria republicana na Câmara, Eric Cantor, disse que esta demora se deve às diferenças que existem quanto à possibilidade de autorizar ou não o ataque contra a Síria.

Cantor e o presidente da Câmara de Representantes, John Boehner, apoiam os planos de Obama contra o país árabe, mas um crescente número de seus correligionários republicanos nessa instância se manifesta contra a medida de força e as pesquisas mostram que mais de 60% dos eleitores também a rechaçam.

Cerca de nove entre 10 telefonemas ou correios eletrônicos que os parlamentares recebem em seus gabinetes sobre este assunto são de pessoas que se manifestam contra a guerra, revelaram fontes do Legislativo ao diário The Washington Post.

Enquanto isso, Obama realiza uma campanha de longo alcance para conseguir apoio para seus planos bélicos, e na noite desta segunda-feira as redes PBS, CNN, ABC, CBS, NBC y Fox News transmitirão declarações exclusivas do mandatário. Para a terça-feira (10) está previsto um pronunciamento do presidente em horário nobre na televisão.

Obama e seus assessores contataram até o último fim de semana por diferentes meios 85 senadores e cerca de 170 integrantes da Câmara para buscar seu apoio.

Durante a semana passada, o secretário de Estado, John Kerry, tentou convencer os parlamentares de que um ataque contra a Síria seria muito diferente da guerra de oito anos contra o Iraque que custou a vida de mais de quatro mil militares estadunidenses e teve um custo superior a US$ 1 trilhão.

Tudo indica que o tema da guerra contra a Síria adiará a discussão de outras questões vitais, como a aprovação de fundos para o plano de saúde aprovado por Obama em 2010 e conhecido como Obamacare e a reforma migratória integral, entre outros.

Encontro de chanceleres

Enquanto isso, a ameaça de agressão dos Estados Unidos e seus aliados contra a Síria está no centro das conversações entre o chanceler russo, Serguei Lavrov, e o primeiro-ministro e titular das Relações Exteriores sírio, Walid al-Moallem.

O presidente russo, Vladimir Putin, prometeu durante o encerramento da Cúpula do G-20, realizada na semana passada em Moscou, ajudar a Síria em caso de ataque.

A guerra estadunidense contra a Síria obstaculiza a realização do segundo encontro de paz em Genebra para buscar uma saída política, como tinham proposto os chefes da diplomacia do Kremlin e da Casa Blanca em reunião que realizaram em maio em Moscou.

A iniciativa está em consonância com os acordos do Grupo dos Oito (G-8) em Lough Erne, Reino Unido, no mês de junho, onde os mandatários concordaram em apoiar um diálogo entre Damasco e a oposição e fechar o espaço aos terroristas.

Um informe de 100 páginas escrito por inspetores russos que recolheram amostras perto de Alepo e foi publicado recentemente na internet pela chancelaria de Moscou, denuncia a hipocrisia da Casa Branca e seus parceiros na sua cruzada para impor seu plano de força contra Damasco.

O informe deixa claro que as armas tóxicas detonadas em 19 de março perto de Alepo eram de fabricação caseira, como boa parte dos armamentos utilizados por opositores extremistas em sabotagens e atentados.

Com suas denúncias, Moscou exige que estes elementos sejam levados em conta antes de empreender ações que violam o Direito Internacional e estão à margem do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Redação do Vermelho, com Prensa Latina