2019, o ano em que as mulheres foram para o front

Desde abril, na Argélia, Sudão, Iraque e Egito, elas estão nas ruas para conter retrocessos e impulsionar as sociedades

A noite do Globo de Ouro em que a apresentadora Oprah Winfrey subiu ao palco, embalada pelas conquistas do #MeToo, para anunciar que a era da violência contra mulher acabara, marca um decisivo passo na luta pela emancipação feminina. Este diagnóstico é do ideólogo de extrema direita Steve Bannon, que assistiu chocado à cerimônia de 7 de janeiro de 2018, e projetou: “As eleições de 2020 não serão entre democratas e republicanos, mas entre patriarcado e matriarcado”.

Por matriarcado, Bannon nomeava um movimento de mulheres popular e progressista, capazes de se insurgir contra a violência patriarcal representada por tipos como ele, Trump ou Bolsonaro. Bannon acerta no sentido da disputa, mas erra no timing. O ano em que as mulheres foram para o front conter retrocessos e impulsionar as sociedades é 2019.

Desde abril, na Argélia, Sudão, Iraque e Egito, elas estão nas ruas. No Líbano, contra corrupção e a crise econômica. Na Palestina, o estopim foi o assassinato de uma jovem por seu irmão, após publicar imagens do primeiro encontro com o namorado. Na Índia, a revolta estudantil espontânea começou liderada por meninas e mulheres e se alastrou.

Nas jornadas latino-americanas, as indígenas eram a linha de frente no Equador. Na Colômbia, mulheres engrossavam as multidões. E foram as chilenas em luta contra o neoliberalismo que criaram o ícone dos movimentos: a performance “Violador Eres Tu”. A resposta do patriarcado tem sido a violência.

Em 2019, o feminicídio explodiu no Brasil e no mundo. Se parte dos homens age como uma “minoria acuada”, outros estão à altura de seu tempo. Como o presidente argentino, Alberto Fernández, que em seu discurso de posse transformou o slogan feminista “Ni Una a Menos” em uma bandeira de governo – vitória das mulheres no front e de toda sociedade.

Fonte: Blog #AgoraÉQueSãoElas

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