Presidente da GM diz que alta do dólar será repassada ao preços

No horizonte da economia global, não está tão claro o fortalecimento do real, diagnostica.

Dólar bate novo recorde

O argentino Carlos Zarlenga, presidente da General Motors na América do Sul, afirma, em entrevista ao Portal UOL, que a escalada na cotação do dólar, que ontem encerrou a sexta-feira (7) cotado a R$ 4,32, vai levar a GM a um reajuste no preço de seus automóveis nos próximos dias.

Segundo ele, 40% das peças de um carro de passeio básico veem do exterior. E com o dólar estabelecido acima dos R$ 4, o aumento projetado para 2020 vai ficar acima do registrado nos anos anteriores.

Levantamentos da Bright Consulting, especialista no setor, apontam que os automóveis estão ficando mais caros, pelo menos, 1,5% acima da inflação todos os anos. “Neste ano, o reajuste será maior”, diz Zarlenga, que não descarta queda em volume de vendas decorrente disso. “Não tem o que fazer”, afirma.

Para Carlos Zarlenga, a escalada do dólar é preocupante. “Se você acompanhar a desvalorização do real nos últimos anos vai ver que é algo importante para nós. Nossa indústria tem muito custo em dólar e isso gera uma queda importantíssima nos resultados das empresas. Então, o que eu acho que vai acontecer é uma tração de preços maior neste ano do que a gente já viu no ano passado. É basicamente o único caminho”, afirma.

Segundo ele, “a posição do real não está para se fortalecer significativamente neste ano, ainda mais com a queda na taxa de juros”. “E no horizonte da economia global, não está tão claro o fortalecimento do real. Eu acho que isso vai ter um impacto, sim, nos preços.”