Funcionários e ex-dirigentes do BNDES homenageiam Carlos Lessa

Economista, que morreu aos 83 anos vítima da Covid-19, presidiu banco no primeiro governo Lula e deixou legado de trabalho pelo desenvolvimento do Brasil.

O economista Carlos Lessa

A Associação dos Funcionários do BNDES (AFBNDES) e ex-dirigentes do banco público prestaram homenagem em vídeo ao economista Carlos Lessa, que presidiu o BNDES no primeiro governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Lessa morreu na última quinta-feira (4), aos 83 anos, vítima da Covid-19, deixando um legado de trabalho pelo desenvolvimento do Brasil.

Discípulo de Celso Furtado, defendia o desenvolvimentismo e um papel mais ativo do governo no direcionamento da economia. “O professor Carlos Lessa dedicou sua vida a pensar no desenvolvimento do Brasil. Foi um professor brilhante, criativo, instigante, generoso. Sempre fiel ao interesse público, lutou as boas causas. Lutou pela democracia, lutou pela justiça social, pela soberania nacional”, afirmou Luciano Coutinho, presidente do banco entre 2007 e 2016, ao longo do segundo governo de Lula e dos dois governos da ex-presidenta Dilma Rousseff.

O economista Darc Costa, ex-vice presidente do BNDES junto a Lessa, destacou a dedicação do economista ao Brasil e aos brasileiros. “Sempre pensou no Brasil, uma pessoa dedicada às causas nacionais. Uma pessoa que se preocupava com a juventude, se preocupava com todos.

O presidente da AFBNDES, Arthur Koblitz, falou sobre a atuação de Carlos Lessa frente ao banco, sempre defendendo a soberania nacional. “Deixou um legado de programas importantes no banco. Eu destacaria, entre eles, o programa de financiamento da cadeia de fármacos. Teve uma decisão muito importante dele no sentido de o BNDES adquirir ações da Vale e permitir que a empresa permanecesse sob uma maioria nacional, isso após a privatização”, ressaltou.

Koblitz lembrou ainda que Lessa escreveu vários livros importantes para a economia brasileira. “Eu destacaria, como o mais importante deles, “15 anos de política econômica” que é, principalmente, uma análise do plano de metas de Juscelino Kubitscheck, que foi o plano econômico que permitiu que o Brasil arrancasse em direção ao desenvolvimento”, afirmou.

Koblitz destacou, ainda, que Carlos Lessa seguia contribuindo com o país e conectado com a realidade. “Um dos últimos trabalhos em que ele se envolveu foi uma discussão sobre a autoestima do brasileiro. Talvez nunca tenha sido tão atual como nos tempos de hoje, em que a nossa autoestima foi definitivamente jogada para o chão”, comentou.

Outros governos

No vídeo, Lessa recebe a homenagem de economistas que presidiram o BNDES em outros governos, não apenas do Partido dos Trabalhadores (PT). Paulo Rabello de Castro, que esteve à frente da instituição no governo de Michel Temer, lembrou a ocasião em que concedeu a Lessa a Medalha do Mérito BNDES. “Ele estava muito feliz no dia em que recebeu. Nós pudemos dizer para ele, em vida, o quanto havia contribuindo com sua inteligência brilhante, mas, principalmente, com algo que tanto nos falta hoje, a sua evidente e notória integridade como ser humano”, disse.

Joaquim Levy, que foi ministro da Fazenda de Dilma Rousseff e depois presidiu o BNDES no governo Bolsonaro, até junho de 2019, recordou a gestão de Lessa à frente do banco como uma época de “grandes esperanças”. “Naquela época, momento de mudanças, de grandes esperanças, ele deu o melhor de si pelo país e pela instituição”, afirmou.

Confira o vídeo completo:

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