Covid-19:Após semanas de achatamento, Brasil volta a acelerar contágio

Brasil voltou a registrar aumento expressivo de 22% nos casos de covid-19 na última semana epidemiológica. Número de mortes por covid volta a acelerar.

Movimento de metrô em Salvador com distribuição de máscaras para usuários.

Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, representantes do Ministério da Saúde admitiram que o Brasil voltou a registrar uma aceleração nas mortes por covid-19 e teve um disparo de 22% no número de novos casos da doença na última semana epidemiológica medida pelo Ministério da Saúde.

De acordo com o Ministério da Saúde, nas últimas 24 horas, o Brasil registrou 1.185 novos óbitos por covid-19 e elevou o total de mortes para 53.830. A atualização diária traz um aumento de 2,2% no número de óbitos em relação a ontem (23), quando o total estava em 52.645.

Na detecção de novos casos da doença, foram 42.725 novos diagnósticos confirmados totalizando 1.188.631. O acréscimo de pessoas infectadas marcou uma variação de 3,7% sobre o número de ontem, quando constava o total de 1.145.906 de pessoas infectadas.

O secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Eduardo Macário, atribuiu o aumento de casos à mudança de estações e pediu atenção aos estados. “O inverno começou agora na região Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e coincidiu com o aumento no número de casos notificados e confirmados de covid-19 nessa região. Então a gente imagina que, aliado a isso tudo, a transição epidemiológica está ocorrendo no Brasil, o que aumentou o alerta do Ministério da Saúde para os estados que ainda não vivenciaram o que o Norte e Nordeste vivenciaram nos últimos meses, que redobrem sua atenção e que a população busque se proteger o máximo possível”, afirmou.

Semanas epidemiológicas

A evolução da doença vinha mantendo quatro semanas de achatamento da curva epidêmica, com número constante de casos e óbitos, sem aumento exponencial, o que tenderia a queda, conforme mantidas as medidas sanitárias. Nas duas últimas semanas, houve um salto significativo principalmente nos casos, o que deve refletir nos próximos dias em óbitos. A flexibilização da quarentena em grande parte do país deve estar refletindo esse aumento, conforme as cidades ainda não estivessem preparadas para reabertura econômica diante do alto número de contaminações.

De acordo com dados divulgados hoje, o país teve 7.256 óbitos registrados no período entre 14 e 20 de junho. Na semana anterior, tinham sido 6.790 mortes, o que representa agora um aumento de 7%. Além disso, os dados do período anterior mostravam a primeira baixa no registro semanal de vítimas fatais por coronavírus, uma queda de 4% em relação à semana epidemiológica que compreendia os dias entre 31 de maio e 6 de junho (7.096 mortes).

Com mais velocidade, aumentaram também os casos de covid-19 no país. No período entre 14 e 20 de junho foram 217.065 novos diagnósticos da doença no Brasil. Um aumento de 22% em relação à semana anterior, quando os casos ficaram em 177.668. Ainda não houve uma semana de queda, mas o ritmo vinha cedendo. O crescimento era de 2% há uma semana, e tinha sido de 15% no recorte anterior

Na análise por semanas epidemiológicas, o Brasil chegou a ter uma redução entre a 23ª, com 7.096 mortes, para a 24ª, quando foram registrados 6.790 óbitos em função da doença. Mas desta para a 25ª semana epidemiológica, a última, o total voltou a subir, para 7.256, atingindo seu maior patamar desde o início da contabilização.

A média de casos confirmados também aumentou nesta última semana epidemiológica, saindo de 25.381 na 24ª semana para 31.009 na 25ª semana.

Interiorização explosiva

A prevalência dos casos se inverteu. Até pouco mais de um mês atrás, havia mais casos nas capitais do que no interior. Há cerca de um mês, esta relação se equiparou e desde então as cidades do interior passaram a ser o principal local de registro.

Em um período de dez semanas, a distribuição de casos de covid-19 no país saiu de 65% contra 35% para as capitais para um cenário quase inverso agora. 60% dos diagnósticos novos foram registrados em cidades do interior, contra 40% nas capitais.

As novas mortes estão praticamente divididas em 50% atualmente. A ocorrência maior nas capitais, que chegou a representar 65%, caiu gradativamente até emparelhar em metade dos registros na semana epidemiológica 25, enquanto a outra metade foi oriunda de cidades do interior.

Mais dados

Do total, 484.893 estão em observação, 649.908 foram recuperados e 3.904 mortes estão em investigação.

A região Norte apresentou redução de 4% nos casos e 27% em novas mortes na última semana. O Nordeste teve aumento de 14% nos diagnósticos, mas queda de 11% nos óbitos. Nos estados do Sudeste, o aumento foi expressivo: 26% em casos e 30% em mortes.

Mas as regiões Sul e Centro-Oeste mostraram dados mais alarmantes. No primeiro caso, houve aumento de 76% nos casos e 46% nas mortes. Já no segundo, o aumento de mortes foi de 59%, com 98% a mais de diagnósticos novos de pacientes infectados pelo coronavírus, praticamente dobrando o número total de vítimas fatais em uma semana.

Os estados com maior número de óbitos são São Paulo (13.352), Rio de Janeiro (9.295), Ceará (5.815), Pará (4.726) e Pernambuco (4.425). Ainda figuram entres os com altos índices de vítimas fatais em função da pandemia Amazonas (2.710), Maranhão (1.836), Bahia (1.541), Espírito Santo (1.463), Alagoas (938) e Paraíba (828).

Os estados com mais casos confirmados da doença são São Paulo (238.822), Rio de Janeiro (103.493), Ceará (99.578), Pará (91.708) e Maranhão (73.314).

SRAG e perfil

As hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), neste ano, totalizaram 299.693. Destas, 128.539 foram em função da covid-19 e outras 68.210 ainda estão em investigação. Ou seja, podem ou não vir a ser casos de infecção pelo novo coronavírus.

Em relação ao perfil dessas pessoas internadas, 50% possuíam mais do que 60 anos e 43% eram mulheres, enquanto 57% eram homens. No recorte por raça e cor deste contingente, 30,9% eram pardos, 27,7% eram brancos, 4,6% eram pretos, 1% era amarelo, 0,3% era indígena e 35,5% não tiveram essa característica notificada.

Já quando consideradas as mortes, 71% tinham acima de 60 anos e 41% eram mulheres, enquanto 59% eram homens. Na distribuição por raça e cor, 35,4% eram pardos, 24,1% eram brancos, 4,8% eram pretos, 1% era amarelo, 0,4% era indígena e outros 34,3% não foram objeto desta marcação.

Comparação mundial

O Brasil é o 2º colocado em número de mortes e de casos confirmados, atrás apenas dos Estados Unidos (que possui 2,3 milhões de casos e 121,2 mil óbitos). Mas na incidência por milhão de habitantes, quando é considerada a população dos países, o Brasil cai para a 13ª posição. No ranking de mortalidade, quando o número de mortes é avaliado proporcionalmente ao total de pessoas de cada nação, o Brasil fica na 10ª posição.

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