Covid-19 causa ansiedade em mais da metade dos paulistas, diz pesquisa

Estudo foi realizado pela Unicamp, UFMG e Fiocruz, revelando uma condição ainda pior entre as mulheres.

Isolamento social reduziu contingente em busca de trabalho

No estado de São Paulo, a pandemia de covid-19 já causa ansiedade em mais de metade da população adulta. De acordo com uma pesquisa da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que ouviu 11.863 pessoas, 39% também afirmaram se sentir tristes ou mesmo deprimidos.

Embora tenha sua eficácia comprovada para a conter a transmissão de doenças, o isolamento social/quarentena geralmente é uma experiência difícil de ser enfrentada, conforme observou a pesquisa. A separação dos entes queridos, a perda de liberdade, a incerteza sobre a doença, e as mudanças nas atividades de rotina podem causar situações de angústia e depressão, gerando problemas à saúde mental. Além disso, mudanças nos estilos de vida e na adoção de hábitos não saudáveis podem provocar danos à saúde das pessoas.

Os problemas no estado de ânimo dos indivíduos, agravados pelas incertezas do cenário econômico e as possibilidades de perder o emprego e os rendimentos, podem ter, igualmente, impactos relevantes, não só no nível individual, mas também no nível coletivo. A pesquisa buscou analisar as mudanças nos estilos de vida relacionados aos hábitos de fumar, consumo de bebidas alcoólicas, prática de atividades físicas, e de alimentação, por exemplo.

Entre adultos com idade de 18 a 29 anos, a proporção aumenta para 54,9% do grupo que declara sentir uma tristeza frequente e 69,7% do que sofre de ansiedade. Os percentuais são, respectivamente, de 25% e 31% entre idosos.

A reclusão organizada no âmbito da crise sanitária também promoveu queda na qualidade do sono de uma parcela significativa dos adultos paulistanos. Ao todo, 30% têm tido dificuldade para repousar e recuperar as energias.

Quando se delimitam os índices por gênero, o que se observa é que as mulheres têm sido mais afetadas pela pandemia. No total, 48,4% se sentem tristes ou deprimidas com frequência e 60,1% ansiosas ou nervosas, contra 28,5% e 40,6% registrados entre homens.

A avaliação de pouco mais de um quarto dos entrevistados (26,5%) é de que a saúde piorou de modo generalizado, já que as medidas de distanciamento social levaram muitas pessoas a interromper uma rotina de exercícios físicos e a continuar trabalhando de casa, com o uso de recursos tecnológicos.

Segundo o levantamento, a proporção de entrevistados que passou a usar tablets e computadores por mais de quatro horas diárias subiu de 46,2% para 64,3%. Fora isso, dado já importante, o percentual de indivíduos considerados fisicamente ativos, ou seja, que praticam exercícios com duração de mais de 150 minutos semanais, caiu de 30,5% para 14,2%. Em curto prazo, tais condições têm provocado efeitos como dores na coluna que antes da pandemia não existiam (40%) e agravamento de problemas crônicos nessa região do corpo. Aumentou o número de pessoas que passou a se alimentar de alimentos processados, menos saudáveis, do que comiam antes.

“O aumento no sedentarismo e no tempo em frente a telas já era esperado, mas o percentual de pessoas com dores na coluna foi algo que nos surpreendeu. Acreditamos que isso tenha relação com as mudanças nas atividades habituais. Mais pessoas passaram a se dedicar às atividades domésticas, por exemplo”, avalia Marilisa Barros, professora da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp e coordenadora do estudo ao lado de Célia Landmann Szwarcwald (Fiocruz) e Deborah Carvalho Malta (UFMG).

A pesquisa ainda mediu dados de emprego e renda, para entender os efeitos psicológicos da situação nos indivíduos. Houve queda significativa na renda, além de perda total do emprego, especialmente entre as pessoas mais vulneráveis, com renda inferior a meio salário mínimo.

Os dados foram coletados pelos pesquisadores entre os dias 24 de abril e 24 de maio, por meio de questionário online. Outros resultados obtidos pela Convid Pesquisa de Comportamentos pode ser conferidos no site oficial, lançado pelas instituições participantes.

* Com informações da agência de notícias da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

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