Zero

Comemorar um zero é algo inusitado. Mas em Cuba, o número que representa o nada está pleno de significados.

Cuba e o combate à covid-19

O dr. Durán anunciou zero casos na segunda-feira, 20 de julho. Em quase 3.000 testes PCR não positivos. Finalmente o número mágico havia chegado. Eu rio sozinho porque acho raro comemorar o Zero como vitória.

Mesmo se houver um caso mais tarde e ainda houver um caminho a percorrer, podemos começar a comemorar o triunfo sobre a pandemia. Um aplauso, como o de todas as noites, pela vida. Uma vitória para Cuba. Parece justo para mim. Tenho dificuldade em dividir o sucesso em pedaços. Por ser o sistema de Cuba, a organização social e a institucionalidade do país, seus princípios, sua ética, seus modos de agir, repetidamente testados e aperfeiçoados, a solidez da construção de seu conhecimento, a proteção universal e popular de sua prática médica, de saúde e científica, que juntos explicam essa conquista.

O prêmio também é expresso no número atual muito baixo de casos ativos e nessa cadeia sustentada de zeros nos casos graves e críticos. Podemos imaginar a perfeição alcançada pelos protocolos de tratamento contra a Covid-19 e a eficácia no combate às produções biotecnológicas cubanas. Esse mecanismo explica os poucos mortos, uma verdadeira conquista na luta contra o coronavírus.

Será necessário estudar e multiplicar as muitas lições deste período incomum. Uma delas é a nova visibilidade conquistada pela saúde e pela ciência. Merecida totalmente. Na sexta-feira, observava dois médicos de Jovellanos, o modesto município de Matanzas, na Mesa Redonda. Um veterano, outro jovem, ambos negros. Certamente, vêm de baixo, do gênio presente no povo, quando as pessoas têm a oportunidade de estudar e se formar. Não é difícil calcular que eles se movem entre deficiências materiais, mas o que é decisivo são eles, sua soberania do conhecimento, seu compromisso visível, a conexão com um sistema social e de saúde que não os deixa isolados.

Observar essas intervenções profundas, como muitas outras de todos os setores, que podem ser lidas ou ouvidas regularmente entre nós, confirma-me a importância crucial de algo que chamo de nível Zero: o de uma população educada, preparada para entender. Algo que parece normal para os cubanos, mas não é tão normal. Esse fundamento, que está em toda parte e não pode ser visto, é a grande força criada pelo país a partir de dentro.

Embora possa parecer um jogo de palavras, esse nível Zero solidificado é o que nos permite celebrar o Zero absoluto hoje. Um Zero que, com a permissão dos matemáticos sábios, desta vez não é vazio. É um zero em Cuba atravessada por um arco-íris.

Publicado no Granma

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