Nem somando todas as parcelas auxílio emergencial chega a US$ 1 mil

Somando cinco parcelas de R$ 600 e quatro de R$ 300, temos R$ 4,2 mil. Isso dá US$ 773. Para justificar de alguma maneira a referência a US$ 1 mil, o auxílio emergencial teria de somar ou ter parcelas de R$ 5.432,30.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente da República, Jair Bolsonaro, disse em seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que o Brasil pagou US$ 1 mil de auxílio emergencial durante a pandemia.

Como é de conhecimento geral, a parcela do auxílio emergencial era R$ 600 antes da diminuição para R$ 300 pelo governo.

O maior valor da parcela, R$ 600, corresponde a cerca de US$ 109 na cotação atual da moeda norte-americana. Mesmo levando-se em conta quem recebe duas parcelas, ou seja, R$ 1,2 mil, o valor fica em US$ 219. Ou seja, passa longe do número citado pelo presidente.

E se supormos que Bolsonaro quis se referir à soma de todas as parcelas, ou seja, as cinco primeiras e os R$ 300 mensais que serão pagos até dezembro? Nem assim o auxílio chega a US$ 1 mil.

Vejamos: somando cinco parcelas de R$ 600 e quatro de R$ 300, temos R$ 4,2 mil. Isso dá US$ 773, usando o conversor de moedas do Banco Central. Para justificar de alguma maneira a referência a US$ 1 mil, o auxílio emergencial teria de somar ou ter parcelas de R$ 5.432,30.

Na verdade, foi Donald Trump quem deu US$ 1 mil a cada cidadão estadunidense durante a pandemia. Assim como Bolsonaro, Trump minimizou o coronavírus e cometeu muitos erros. Mas o pacote de estímulo à economia nos EUA excedeu muito as liberações tímidas de Paulo Guedes. Em março, o governo Trump propôs um pacote de US$ 850 bilhões, o equivalente a R$ 4,2 trilhões.

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