Desigualdade cresce nas metrópoles e mais pobres perdem 32% da renda

A população cuja renda domiciliar fica abaixo da média também cresceu em 2020, de 23,5 milhões para 25,8 milhões, ou 31% da população metropolitana.

População metropolitana empobreceu - Foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas

Houve um aumento da desigualdade de renda do trabalho nas metrópoles brasileiras entre o primeiro e o segundo trimestres de 2020. O motivo foi a crise econômica, agravada pela pandemia da Covid-19. A informação está no boletim “Desigualdade nas Metrópoles”, do Observatório das Metrópoles em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e o Observatório da Dívida Social na América Latina (RedODSAL).

Os pesquisadores apontaram um substantivo aumento do percentual de “vulnerabilidade relativa” (pessoas cuja renda domiciliar não chega à metade do perfil mediano) no interior das metrópoles. No 1º trimestre de 2020 havia 23,5 milhões de pessoas nesta situação, correspondendo a 28.4% da população. Já no último trimestre chegou a 25,8 milhões de pessoas, ou 31.3% da população metropolitana.

Em geral, todos os estratos de rendimento apresentaram queda de sua renda no último trimestre, porém, essa queda foi proporcionalmente maior entre os 40% mais pobres, que perderam 32,1% da renda. Já os 10% mais ricos tiveram uma redução bem menor de renda, de 3,2%.

Conforme o estudo, a desigualdade racial também tem se mantido em nível elevado nas metrópoles. No geral, verificou-se uma tendência de manutenção dos rendimentos relativos dos negros, em relação ao dos brancos. Na média das regiões metropolitanas, no segundo trimestre de 2020, os negros apresentaram um rendimento médio correspondente a somente 57,4% do rendimento dos brancos. De acordo com o boletim, esses dados apontam para um cenário de grande desigualdade racial na distribuição dos rendimentos nas metrópoles brasileiras.

Ainda de acordo com o levantamento, a média do coeficiente de Gini para o conjunto das regiões pesquisadas era de 0.610 no 1º trimestre de 2020, e no 2º trimestre de 2020 chegou a 0.640. O coeficiente de Gini é um indicador de zero a um usado para medir a desigualdade. Quanto mais se aproxima de um, mais desigual é uma sociedade.

As informações elencadas do levantamento foram retiradas dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em especial da divulgação trimestral. Segundo o boletim, os dados serão atualizados a cada trimestre e divulgados em novos boletins sobre a desigualdade de renda.

O levantamento abrangeu 22 regiões metropolitanas: Manaus, Belém, Macapá, Grande São Luís, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju, Salvador, Belo Horizonte, Grande Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Vale do Rio Cuiabá e Goiânia, Distrito Federal e Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento da Grande Teresina.

O estudo foi coordenado pelo professor Marcelo Gomes Ribeiro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenador do núcleo do RJ do Observatório das Metrópoles, e por André Salata, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUC-RS.

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