Russomano protagoniza debate com fake news contra Boulos

Ele baseou-se numa suposta reportagem que, após apuração, verificou-se que foi publicada durante o debate, o que pode indicar uma ação orquestrada entre a campanha e um youtuber.

Debate Uol/Folha com Russomano, Boulos e Covas. Foto: Reprodução

Durante o debate dos candidatos à prefeitura de São Paulo promovido pelo UOL e pela Folha de S.Paulo, nesta quarta-feira (11), Celso Russomanno (Republicanos) acusou Guilherme Boulos (Psol) de valer-se, em sua campanha, de empresas fantasmas com o uso de dinheiro público.

Após um momento de perplexidade com a acusação baseada em reportagem que Boulos desconhecia, o candidato classificou a alegação de empresas fantasmas como uma “pegadinha” do adversário. “Celso, eu desconheço essa reportagem, é do seu site? Do seu programa? Precisa dizer de onde tira as coisas. Você colocou nas redes sociais e veio fazer pegadinha em debate?”, questionou Boulos.

De fato, a história das “empresas fantasmas” — para as quais, segundo Russomanno, a campanha de Boulos teria pago mais de meio milhão de reais — foi uma ação coordenada entre o candidato do Republicanos e um notório disseminador de fake news, o bolsonarista Oswaldo Eustáquio, que chegou a ser preso pela Polícia Federal (PF) em junho no âmbito de investigações sobre atos contra a democracia. Afinal, a denúncia das supostas empresas fantasmas foi publicada por Eustáquio em seu canal com 360 mil seguidores no YouTube enquanto o debate UOL/Folha ainda estava sendo transmitido ao vivo.

Russomanno pode ter protagonizado o primeiro caso de uma notícia fraudulenta que foi criada e disseminada exclusivamente para constranger e encurralar um adversário político em um debate eleitoral. A estratégia criminosa vinha sendo temida pela justiça eleitoral e se concretizou num momento de desespero de Russomano, que vem derretendo nas pesquisas, após iniciar a campanha com altos índices de intenção de voto. Sua queda chegou ao patamar de colocar Boulos na possibilidade de ir ao segundo turno com o atual prefeito Bruno Covas (PSDB).

Na terça-feira, Russomano também apelou para a censura judicial a uma pesquisa Datafolha, no que foi atendido pelo juiz. Como todas as outras, a pesquisa deve indicar nova queda do candidato.

Resposta imediata

A Justiça Eleitoral determinou, na noite de hoje, que o Google retire imediatamente do ar um vídeo com informações falsas produzido pelo blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio e utilizado pelo candidato Celso Russomanno (Republicanos) para desferir acusações contra o rival Guilherme Boulos (PSOL). A decisão acatou um pedido feito pelo psolista e prevê aplicação de multa diária em caso de não obediência.

“O cenário delineado pela matéria”, afirmou o juiz eleitoral Emílio Migliano Neto na decisão, “não encontra lastro nem sequer em indícios […] permitindo-se, sem temor, de ser adjetivado de sabidamente inverídico, extravasando o debate político-eleitoral.”

“O perigo do dano, para o candidato representante [Boulos], decorre da proximidade do pleito eleitoral, pois sua imagem irremediavelmente prejudicada em razão da não suspensão do vídeo veiculado”, afirma a decisão.

O blogueiro Oswaldo Eustáquio, um militante bolsonarista, já foi preso pela Polícia Federal em 26 de junho. Ele é um dos principais envolvidos no inquérito das fake news. A PF alegou que ele estava utilizando táticas para não ser localizado e o prendeu para amenizar o risco de fuga.

Ele é investigado na Operação Lume, inquérito que apura financiamento, apoio e organização de atos antidemocráticos que defendem o retorno da Ditadura Militar e o fechamento do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal).

O blogueiro já apareceu em lives com o ex-deputado condenado no processo do “mensalão” Roberto Jefferson, quando o líder do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) defendeu que haveria uma tentativa de golpe contra Jair Bolsonaro (sem partido). Ele também foi assessor da ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, durante o governo de transição.

Com informações do Uol.

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