Coordenador da FUP afirma que Bolsonaro vai enfrentar ‘maior greve da história’ se tentar privatizar a Petrobrás

Sem coragem para mudar a política de preços da Petrobrás, governo Bolsonaro usa privatização como “espantalho” para desviar as atenções.

O coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, afirmou em suas redes sociais que o presidente Jair Bolsonaro (PL) enfrentará a maior greve da história da categoria petroleira, caso avance na intenção de privatizar a Petrobrás.

No final de dezembro, os petroleiros aprovaram estado de greve  e podem parar a qualquer momento, caso o governo envie ao Congresso Nacional um projeto de lei para privatização da Petrobrás, como vem ameaçando desde outubro passado.

Na época, Bolsonaro chegou a declarar à imprensa que o projeto de privatização a Petrobrás estava sendo construído a quatro mãos, pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP/AL).

Esta semana, o assunto voltou a dominar o debate nacional, após a declaração do novo ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, de que pretende incluir a Petrobrás e a Pré-Sal Petróleo SA (PPSA) no Programa Nacional de Desestatização, insinuando que esta seria a solução para baixar o preço dos combustíveis.

Bolsonaro muda o presidente da Petrobrás, muda o ministro de Minas e Energia, muda o presidente do Conselho de Administração, mas não muda o Preço de Paridade de Importação (PPI), que é o principal motivo dos constantes aumentos dos combustíveis”, reagiu Deyvid Bacelar, ressaltando que “essa ‘dança das cadeiras’ que Bolsonaro vem fazendo é para se eximir da responsabilidade que tem pela alta do preço dos combustíveis”.

O Estado brasileiro é o acionista controlador da Petrobrás e, portanto, se o presidente da República quisesse, poderia mudar a política de preços. “O PPI não é lei, é decisão do Executivo”, lembra o coordenador da FUP.

“Ao invés de buscar um ‘bode expiatório’ para enganar a população, fingindo preocupação, Bolsonaro deveria assumir o papel de mandatário e acabar com essa política de preços covarde, que vem levando o povo cada vez mais à miséria”, afirmou Deyvid pelo Twitter, lembrando que os petroleiros estão em estado de greve contra qualquer ameaça de privatização da Petrobras.

“Eles que não tenham essa audácia, caso contrário responderemos à altura, como fizemos em fevereiro de 2020. Há dois anos, nos levantamento contra o fechamento da Fafen PR, assim como fizemos outras greves depois contra a venda das refinarias e a privatização da PBio. A categoria petroleira tem um histórico de luta e resistência, que nos faz referência nacional. Estamos em estado de greve e é bom que Bolsonaro esteja atento a isso”, avisa o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

Cortina de fumaça?

Às vésperas das eleições, são remotas as chances do processo de privatização da Petrobrás prosperar nesse momento. Nesse sentido, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) afirmou que o tema “não está no radar ou na mesa de discussão”. “O momento é muito ruim para isso”, acrescentou.

“Estudos podem ser feitos, conforme anunciou o novo ministro das Minas e Energia. Que sejam os mais bem feitos. Mas entre o estudo e a concretização há uma distância longa” afirmou. Após encontro com secretários estaduais de Fazenda para discutir a alíquota do ICMS sobre a gasolina, Pacheco também afirmou que a Petrobrás e a União precisam fazer mais para conter os preços dos combustíveis.

Com a finalidade de controlar os preços dos combustíveis, defendeu a criação de um fundo de estabilização. A proposta para criação desse fundo já foi aprovada no Senado há dois meses. Mas o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), considera que a proposta não é prioridade.

Isso porque Guedes é contra utilizar os dividendos que a União recebe da Petrobrás para custear esse fundo. Especialistas também criticam a retirada de um imposto sobre exportação de petróleo bruto que também serviria para custear esses esforços de estabilização.

Medo do mercado

Bolsonaro não mexe no PPI para não perder o apoio político do mercado financeiro. Em função da alta do petróleo no mercado internacional, o PPI rendeu mais de R$ 100 bilhões em dividendos aos investidores no ano passado. Só em relação ao primeiro trimestre desse ano, a Petrobras vai pagar mais R$ 48,5 bilhões aos acionistas. Os resultados obtidos pela estatal superam os de gigantes do setor, como das norte-americanas Exxon Mobil e Chevron.

Por outro lado, somente de janeiro de 2019 para cá, a gasolina acumula alta 155,8% nas refinarias. O diesel subiu 165,6%, e o GLP aumentou 119,1%, com o preço médio do botijão de gás de cozinha acima de R$ 120,00. Além disso, como a maior parte dos produtos no Brasil são transportados em caminhões, os seguidos reajustes do diesel acabam impactando em todos os setores da economia, servindo, assim, como um dos principais combustíveis para o aumento da inflação.

Fonte: Portal da FUP com informações do Portal da Rede Brasil Atual