PF toma depoimento de ex-ministro de Bolsonaro, que deve ficar calado

Anderson Torres será ouvido nesta quarta, 18, para explicar sua omissão e conivência com os atos golpistas

Ex-ministro da Justiça, Anderson Torres | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-ministro da Justiça de Bolsonaro e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal (DF) Anderson Torres depõe nesta quarta-feira (18), na Polícia Federal (PF), para explicar sua suposta omissão e conivência com os atos golpistas do domingo (8), que resultaram na invasão e depredação dos prédios da Praça dos Três Poderes.

Sob a justificativa de que ele não teve acesso aos autos, o advogado Rodrigo Roca adiantou que o cliente não vai falar na oitiva. Torres está preso desde sábado (14) no 4º Batalha da Polícia Militar no Guará (DF).

Leia mais: PF quer obter dados do celular de ex-ministro de Bolsonaro na nuvem

O ex-ministro é considerado um arquivo vivo, pois se encontra juridicamente numa situação muito delicada e, caso resolva falar, pode comprometer Bolsonaro. De acordo com o que já foi apurado, ele estaria se sentindo abandonado pelo ex-presidente, o que pode resultar numa delação.

A situação do ex-ministro é complicada. Depois dos atos golpistas na Praça dos Três Poderes, a PF encontrou na casa dele um documento pelo qual permitiria Bolsonaro mudar o resultado das eleições presidenciais de 2022. A chamada “minuta do golpe” possibilitaria o ex-presidente decretar Estado de Defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), medida anticonstitucional e golpista.

Quando foi preso no Brasil vindo dos Estados Unidos, Torres chegou sem o seu celular. Os investigadores querem obter informações do aparelho por meio da nuvem de dados.

Em Miami (EUA), onde teria deixado o aparelho, o ex-ministro chegou a dizer que o celular foi clonado. De acordo com os investigadores, isso pode ser um sinal de que ele temia pelo conteúdo a ser encontrado no telefone.

Autor