A jogada de Ron DeSantis em uma partida que não acabou

Mais: Greve Geral na Argentina supera expectativas / Faleceu Víctor Kot, secretário-geral do PC da Argentina / António Guterres: “A ocupação de Israel deve acabar”.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, anunciou, no último domingo (21), sua desistência da disputa pela indicação do Partido Republicano à presidência dos EUA. Ron DeSantis era, até então, dentro do partido, o principal adversário de Donald Trump. A decisão foi divulgada seis dias depois de a primeira prévia, no Estado de Iowa, provar na prática o que todos suspeitavam: Trump é realmente imbatível entre os republicanos. A chance de que Nikki Haley, a candidata que restou, derrote Trump dentro do partido do elefante, é mínima. Precipita-se, no entanto, quem assegura que o cenário da campanha eleitoral estadunidense de 2024 está definido, com o esperado embate Biden x Trump. Embora este seja o panorama provável, ainda existe água para rolar nesse rio e o pragmático governador da Flórida levou isso em conta. Afinal, ir até o fim em uma batalha perdida significaria, para DeSantis, criar arestas e cicatrizes inúteis com o eleitorado ultraconservador, que também é o seu eleitorado. O mesmo público que o aplaude quando ele ataca os estúdios Disney por suposta “propaganda gay” é o que vê em Trump o líder inconteste dos “valores americanos”, tendo um apego quase fanático ao ex-presidente. A reação de Trump ao anúncio da desistência de DeSantis foi elogiá-lo como um “republicano capaz”. DeSantis respondeu que se empenhará para que Trump derrote Biden. Enquanto isso, o que existe de sensato no establishment estadunidense vê brilhar, cada vez mais forte, em um país polarizado, os sinais de uma conflagração interna iminente.

A “tendência crescente”

Dois correspondentes do La Jornada em Washington, reportaram, no dia 17/1, que “ameaças de morte contra funcionários eleitorais, juízes e promotores, juntamente com complôs para tomar de assalto capitólios e outros prédios governamentais, além de atos de intimidação como marchas neonazistas e de outros grupos de ultradireita, tornaram-se parte do processo político nos Estados Unidos (…) Nas últimas semanas foram registradas ameaças de bomba contra dois juízes – um em Nova York e outro em Washington – encarregados de casos contra o pré-candidato presidencial Donald Trump, assim como evacuações em mais de uma dúzia de capitólios estaduais. Na semana passada, o procurador-geral dos Estados Unidos, Merrick Garland, declarou que esses incidentes fazem parte de uma tendência crescente“. Essa “tendência crescente” atingirá seu ápice na disputa eleitoral propriamente dita, com consequências imprevisíveis, seja quem for o vencedor. Daí, muitos começam a pensar se não seria o caso de “antecipar” a crise, tornando Trump inelegível. Argumentos para isso não faltam. Seu envolvimento com o ataque ao Capitólio é nítido. A Suprema Corte do Colorado e a secretária de Estado do Maine já declararam que Trump não pode disputar a presidência. Para os que defendem esta tese, a crise política causada pela inelegibilidade de Trump ocorreria em um ambiente mais controlado, pois seria fruto de uma decisão do Supremo Tribunal dos EUA, onde, apesar de uma maioria conservadora, pode prevalecer o desejo de preservar o sistema de turbulências mais graves.

O Sonho de DeSantis

De qualquer maneira, a partir de agora, Nikki Haley só tem uma saída na luta inglória pela indicação republicana: subir o tom contra Trump. O que de fato está fazendo. Além de recordar o tempo todo os problemas do adversário com a lei, recentemente ela colocou em dúvida a sanidade mental do ex-presidente. Os defensores de Trump, seguindo as narrativas de costume, respondem alegando que Nikki Haley é uma “infiltrada do sistema”, que teria a tarefa de pavimentar a vitória de Biden, desgastando Trump. Ao contrário de Haley, DeSantis, fora da disputa, fará, em conta-gotas, mas em um crescendo, repetidas declarações indignadas contra uma eventual cassação política de Donald Trump e colocará Biden no alvo de seus ataques. Poucos sabem que DeSantis, à noite, em seus sonhos, vê Trump impedido de concorrer pelo Supremo Tribunal. Concretizada esta hipótese, uma onda gigante de indignação conservadora atingiria o país, incluindo Nikki Haley, destituída de quaisquer condições de representar o “trumpismo” que, órfão, buscaria no “fiel” DeSantis, a espada para vingar Trump. Este é o sonho de DeSantis e sonhar não custa nada, diz o ditado popular, mas isso não é tudo. Mesmo que Trump consiga manter a candidatura, DeSantis pode esperar. O cálculo é simples. Depois do ex-presidente, ele é o representante de extrema-direita mais popular e 32 anos mais novo. Qualquer que seja o cenário final, ao desistir das prévias, DeSantis se posicionou como príncipe herdeiro do neofascismo americano.

Greve Geral na Argentina supera expectativas

Superou as expectativa a adesão popular à greve convocada pela Central Geral do Trabalho (CGT) refletindo-se numa Buenos Aires de ruas desertas ao lado de grandes multidões protestando. É inútil, em um caso assim, negar a realidade, com fez nesta quinta-feira (25), o governo Milei, ao tentar pateticamente diminuir o impacto da mobilização. Aliás, o impacto foi tão grande que Javier Milei, que pretendia, depois de vários adiamentos, levar até esta sexta-feira (26) as suas propostas do “Decreto Ônibus” para votação no Congresso argentino decidiu por novo adiamento, desta vez para o dia 30/1. A dimensão da greve fez a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, perder a linha. Bullrich classificou os manifestantes como “sindicalistas mafiosos, gerentes da pobreza, juízes cúmplices e políticos corruptos”. Essa mesma ministra tentou, antes dos protestos, intimidar os manifestantes ameaçando com repressão. Tanto as ameaças quanto as ofensas não parecem ter surtido qualquer efeito e a CGT convocou nova greve para o dia 30/1, visando pressionar o Congresso a rejeitar o “pacotão” de Milei. Com menos de dois meses de governo de extrema-direita, o povo argentino ensina como se combate o neofascismo.

Faleceu Víctor Kot, secretário-geral do Partido Comunista da Argentina

Na manhã desta segunda-feira (22) chegou ao Brasil a triste notícia sobre a morte de Víctor Kot, secretário-geral do Partido Comunista da Argentina. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) enviou ao PCA uma mensagem de solidariedade assinada pela presidenta Luciana Santos e pela Secretária de Relações Internacionais, Ana Prestes. “Kot foi um constante amigo do povo brasileiro, ao qual prestou sua solidariedade incondicional nos momentos mais difíceis da nossa história recente (…) Kot nos deixa quando o povo argentino inicia importantes batalhas contra o governo de extrema-direita e seu projeto de destruição nacional a serviço dos interesses dos rentistas e do imperialismo. Contudo, o exemplo de Víctor Kot será fator impulsionador para as novas gerações”, diz parte do texto que pode ser lido na íntegra neste link.

António Guterres: “A ocupação de Israel deve acabar”

Os hediondos crimes cometidos pelo Estado sionista de Israel contra o povo palestino são de tal monta que mesmo pessoas consideradas moderadas, porém com sangue correndo nas veias, vão aos poucos sendo levadas a posturas mais firmes diante do genocídio. Na reunião desta terça-feira (23) do Conselho de Segurança da ONU sobre o Oriente Médio, chamou a atenção a assertividade do Secretário-Geral, António Guterres, que disse com todas as letras que “a ocupação de Israel (dos territórios palestinos) deve acabar”, acrescentando que “toda a população de Gaza está sofrendo uma destruição em uma escala e velocidade sem precedentes na história recente”. Guterres qualificou tais fatos de “injustificáveis” e voltou a defender a solução dos dois Estados. O isolamento político do sionismo e do imperialismo estadunidense estão se acentuando.

O primeiro “manual” de campanha eleitoral foi escrito por Quinto Cícero no Século I A.E.C. O título que Quinto Cícero deu ao seu foi trabalho foi “Commentariolum Petitionis”, que pode ser traduzido para o português como “Pequeno Comentário sobre a Candidatura” ou “Breve Comentário sobre a Campanha Eleitoral“. O autor fez o texto para seu irmão Marco Túlio Cícero, que era candidato a Cônsul (e foi eleito!). Na citação abaixo, Quinto Cícero defende que, durante a campanha, o candidato tem que ter um critério mais amplo de quem ele considera amigo.

Mas este nome de amigos, quando se é candidato, tem um sentido mais lato do que nas outras atividades da vida; com efeito, qualquer um que revele alguma simpatia para contigo, que mostre solicitude, que venha muitas vezes a tua casa, esse deve ser considerado no número dos teus amigos.”

Breve Comentário sobre a Campanha Eleitoral (Commentariolum Petitionis) de Quinto Cícero, 63 A.E.C.

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