Policia de Tarcísio mata mais sete pessoas na Operação Escudo
Mesmo após irregularidades e abusos observados nas 28 mortes anteriores, governo volta a respaldar a violência contra comunidades pobres da Baixada Santista
Publicado 05/02/2024 16:13 | Editado 06/02/2024 15:20

No último domingo (4), um homem de 28 anos foi fatalmente baleado por policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) durante uma operação na Baixada Santista, notificando a sétima morte na retomada da Operação Escudo. A ação policial foi intensificada após a morte do policial militar Samuel Wesley Cosmo na última sexta-feira (2). A câmera corporal do uniforme do policial morto chegou a registrar o momento do disparo, mas o autor ainda não foi identificado.
A Polícia Civil investiga todas as mortes ocorridas durante a Operação Escudo. A Corregedoria da Polícia Militar também acompanha os casos para apurar possíveis abusos. No entanto, o próprio boletim de uma das ocorrências, que terminou com a morte de três pessoas no sábado (3), consta que “o local dos fatos não foi preservado e não foi feita perícia em razão do tumulto causado nas imediações e do eventual risco do novo confronto”, repetindo a falta de protocolos investigativos das polêmicas etapas anteriores da operação.
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Seis das mortes confirmadas aconteceram em Santos, e uma delas em São Vicente. A Secretaria de Segurança Pública afirma que em todos os casos houve troca de tiros entre os policiais e as vítimas.
Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), nesta última ocorrência, três policiais da Rota participavam da operação na Baixada Santista quando receberam informações sobre a presença de um suposto traficante do Morro São Bento em um carro próximo ao túnel Rubens Ferreira Martins.
A abordagem ocorreu na Rua Dr. Gastão Vidigal, onde a viatura seguiu o veículo até o acesso ao morro. Ao solicitar a parada, o motorista de aplicativo atendeu, mas o passageiro, no banco da frente, teria apontado uma arma para os policiais. Dois PMs reagiram, disparando cinco e dois tiros, respectivamente, ambos com fuzis.
O suspeito, ferido, foi encontrado com uma pistola contendo seis cartuchos intactos. Além do veículo, uma casa também foi atingida pelos disparos. O motorista de aplicativo relatou que o passageiro pediu uma corrida para buscar uma moça, mas ao avistar a viatura, mudou de ideia e instruiu o condutor a retornar ao morro. Ao ouvir os tiros, o motorista buscou abrigo atrás do carro.
O homem ferido foi encaminhado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para a UPA Zona Noroeste, mas não resistiu e veio a falecer. A ocorrência foi registrada como morte decorrente de intervenção policial e homicídio tentado.
Operação letal
A Operação Escudo foi iniciada em julho de 2023, após a morte do soldado da Polícia Militar, Patrick Bastos Reis, em um patrulhamento no Guarujá, litoral de São Paulo.
Ela durou 40 dias, deixou 28 mortos e um rastro de suspeitas de excessos por parte da polícia, como relatos de tortura e execuções. Deixou ainda 958 pessoas presas, sendo que 382 eram procuradas pela Justiça. Além disso, 117 armas de fogo e 977 quilos de drogas foram apreendidos.
Especialistas e o ouvidor da polícia Claudio Aparecido da Silva foram ouvidos pelo Portal Vermelho, à época, quando apontaram a ineficácia da operação para garantir segurança pública, os abusos de várias ordens denunciados e o respaldo que o Governo Tarcísio Freitas dá à vingança policial contra comunidades pobres.
As irregularidades na operação provocaram intenso debate sobre o uso de câmeras corporais dos policiais. A requisição das imagens pela investigação revelou filmagens interrompidas por supostas falhas nos equipamentos e até mesmo obstrução pelos próprios policiais.
Essa nova etapa é a oitava Operação Escudo desde julho de 2023 e também a sexta deste ano.