Netanyahu se prepara para ampliar a guerra no Oriente Médio

Escalada de violência israelense ameaça jogar a região em um conflito mais sangrento, após ataque em embaixada do Irã em Damasco, na Síria. Ocidente reage pró-Israel

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O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu escalou a guerra local com o Hamas e o povo palestino, para um conflito regional com o Iran e outras potências do Oriente Médio. Agora, a coligação de extrema-direita e fundamentalista, liderada pelo premiê, inicia os preparativos militares e diplomáticos para uma ofensiva de longa escala na região.

“Estamos no meio da guerra em Gaza, que continua com força total, mesmo enquanto continuamos os nossos esforços incansáveis ​​para devolver os nossos reféns. No entanto, também estamos preparados para cenários que envolvem desafios noutros setores”, disse Netanyahu, sinalizando a preparação.

Israel está “em alerta e altamente preparado para vários cenários, e estamos constantemente avaliando a situação”, disse o porta-voz da IDF, contra-almirante Daniel Hagari, em uma entrevista coletiva.

No último domingo, o exército israelense retirou as tropas invasoras da cidade de Khan Younis, no centro da Faixa de Gaza. A extrema-direita e os ultraortodoxos acusaram Netanyahu de ceder à pressão sobre o governo para chegar a um acordo de cessar-fogo com o Hamas.

Em resposta a pressão da ala mais radical do governo, um ataque aéreo coordenado pelas Forças Armadas e agência de segurança de Israel matou nesta quarta (10) três filhos e quatro netos do líder político do Hamas, Ismail Haniyeh.

Netanyahu e o ministro da Defesa Yoav Gallant fizeram vazar na imprensa local, através da agência de notícias Walla, que a execução do bombardeio não foi avisada para a cúpula do governo com antecedência.

A manobra de comunicação de Netanyahu ocorre após os Estados Unidos, de forma cínica, mudarem sua postura diante do conflito por causa da pressão eleitoral interna e iniciar uma ofensiva retórica contra o governo de extrema-direita.

O movimento de retirada de tropas israelenses de Khan Younis, no entanto, é visto também como uma reorganização operacional das forças armadas para o que pode estar por vir, já que Tel Aviv aguarda a vingança iraniana pela morte do comandante sênior da Guarda Revolucionária do Irã, Mohammad Reza Zahedi.

Desde então, potências ocidentais em conjunto com Israel se organizam com o corpo diplomático dos seus respectivos países, em um movimento para dissuadir Teerã da vingança.

“A nossa relação estratégica com as forças armadas dos EUA é forte e estreita”, disse o porta-voz da IDF à imprensa. “Um ataque a partir do território iraniano seria uma prova clara das intenções iranianas de agravar a situação no Médio Oriente e de parar de se esconder”, afirmou Hagari.

A declaração foi vista como uma tentativa de dissimular as responsabilidades de Tel Aviv no crime de guerra perpetrado contra o consulado do Irã, em Damasco.

Ao secretário da Defesa dos EUA, Lloyd Austin, na noite desta quinta (11), o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, enfatizou que Israel não tolerará um ataque iraniano ao seu território. A situação na região caminha para um impasse maior, uma vez que uma retaliação do Irã devido a agressão ao consulado é visto como certa.

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