STF manda prender Léo Índio após sobrinho de Bolsonaro ter fugido para a Argentina

Primo dos filhos de Bolsonaro é acusado de envolvimento nos atos golpistas de 8 de Janeiro

Post de Leo Índio com Carlos Bolsonaro em suas redes sociais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decretou nesta quarta-feira (2) a prisão preventiva de Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como Léo Índio. O empresário, primo dos filhos mais velhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é réu por envolvimento nos atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023 e teria fugido para a Argentina, descumprindo medidas cautelares impostas pelo STF.

Decisão do STF e manifestação da PGR

A decisão de Moraes seguiu a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que defendeu a prisão preventiva de Léo Índio por descumprimento de medidas cautelares. Segundo o procurador-geral Paulo Gonet, a retenção do passaporte do réu se mostrou insuficiente para impedir sua fuga, já que ele utilizou um documento de identidade para ingressar na Argentina, aproveitando-se da isenção de passaporte entre os países do Mercosul.

“O réu demonstrou ampla intenção de sair do território nacional com a finalidade de se evadir do distrito de culpa, uma vez que, tendo plena ciência do cancelamento de seu passaporte, deliberadamente fugiu do Brasil”, afirmou Moraes em sua decisão.

Localização divergente e permanência na Argentina

Léo Índio afirmou que está na região de Mendoza, no oeste da Argentina, a mais de 2.000 km do local informado ao STF e às autoridades argentinas. Sua defesa alegou que ele tem permissão para permanecer no país até 4 de junho e que pretende recorrer da decisão de Moraes.

O ministro havia intimado a defesa do réu a prestar esclarecimentos depois que uma emissora de rádio do Paraná veiculou um vídeo em que Léo Índio afirma estar na Argentina por medo de ser preso.

Acusações e provas contra Léo Índio

Em fevereiro deste ano, a Primeira Turma do STF aceitou, por unanimidade, a denúncia da PGR contra Léo Índio. Ele responde pelos crimes de associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado por violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

As provas contra ele incluem imagens de sua participação nos atos golpistas, publicadas em suas próprias redes sociais, além de mensagens encontradas em seu celular que indicam incitação a atos violentos e participação em outras manifestações antidemocráticas.

Consequências da decisão

Com a prisão preventiva decretada, Léo Índio pode ser preso ao retornar ao Brasil. O mandado segue em aberto, e sua defesa deve apresentar recursos para reverter a decisão. O caso segue em acompanhamento pelo STF, que poderá adotar medidas adicionais caso o réu permaneça no exterior.

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