Adilson cita Paulo Freire: “esperança é revolucionária” e vem com fim da escala 6×1
Apesar da transição, o presidente da CTB diz que o fim escala 6×1 e a adoção do modelo 5×2 estão sacramentados e devem ser comemorados
Publicado 27/05/2026 14:58 | Editado 28/05/2026 12:01
O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, é um dos dirigentes que montaram moradia em Brasília para acompanhar de perto o desenrolar da votação em torno da proposta de emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada das atuais 44 para 40 horas semanais e o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho com apenas um de descanso).
Para ele, a conquista já é um fato consumado: “Assim como diria o mestre Paulo Freire: a esperança é revolucionária e chegou para o fim da escala 6×1”.
Ainda que considere a transição de um ano “indigesta”, Adilson diz que o fim escala 6×1 e a adoção do modelo 5×2 (cinco dias de trabalho com duas folgas) estão sacramentados e devem ser comemorados.
As novas regras já passam a valer neste ano com o adoção imediata do modelo 5×2 e a redução de 44 para 42 horas a partir de 60 dias da promulgação. Após 12 meses da promulgação, a jornada será reduzida para as 40 horas.
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O presidente da CTB afirma que o movimento sindical e popular jogou papel preponderante nessa conquista.
“Houve um certo alarmismo, mas a pressão social fez com que muitos mudassem de opinião. Aquela história de querer impor uma jornada de 52 e dez anos de transição foi paro o ralo”, diz o sindicalista ao Portal Vermelho.
Ele cita que a conquista vem um século depois do industrial norte-americano Henry Ford, responsável pela introdução da linha de montagem móvel para fabricação de automóveis, adotar na sua empresa a escala 5×2.
“Ao verificar que ele tinha uma linha de produção que dava sinais de fadiga, embora com um contingente razoável de trabalhadores, percebeu que era necessário reduzir a jornada, instituindo a escala 5×2 para aumentar a produtividade, melhorar o ganho dos trabalhadores, porque além de buscar se reestruturar, ele também percebeu que era necessário que o funcionário pudesse ter autoestima”, afirma.
Atraso
Dessa forma, o dirigente alega que o Brasil está muito atrasado. “Em 2024, calcula-se que o país perdeu 4% do PIB (Produto Interno Bruto). Isso decorrente de quê? De um quadro, eu diria assim, muito grave: mais de 800 mil trabalhadores adoecidos”, diz.
“O Brasil figura no G20 como o segundo país com maior índice de morte por acidente de trabalho. Nós somos o terceiro país no mundo com maior registro de incidência de doença ocupacional”, adverte.
O dirigente argumenta que, na concepção do mundo moderno, é preciso ter condições de trabalho decente conforme o pressuposto da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
“Se a gente quer um Brasil socialmente desenvolvido, capaz de desenvolver força produtiva e se tornar uma nação competitiva está claro e evidente que a gente precisa resolver essa questão. Será, objetivamente, a possibilidade da gente conviver mais com a família, poder se qualificar e ter uma vida digna, um trabalho saudável, um trabalho que venha provir de eficiência e tirar a gente desse dado assustador sobre a produtividade de hora trabalhada: Alemanha (13º), Reino Unido (22º) e Brasil (56º) lugar”, relata.
Constituinte de 1988
Por fim, o presidente da CTB diz que os trabalhadores brasileiros alcançam uma conquista histórica, pois faz 38 anos da Constituinte de 1988 que reduziu a jornada de 48 para 44 horas semanais.
Com essa conquista, o Brasil entra na linha dos países ocidentais que já aprovaram medidas com vista a reduzir a jornada de trabalho. É o exemplo da Islândia que patrocinou uma jornada 4 x3, que impactou no crescimento de 5% no PIB. É o exemplo da França que, ao reduzir para 36 horas, contribuiu com o aumento da geração de postos de trabalho”, argumenta.