Dia de celebrar a Palestina na ManiFiesta
No último dia da ManiFiesta, símbolos palestinos, debates e vozes internacionais transformaram a solidariedade em prática política e cultural em Bruxelas.
Publicado 17/09/2025 14:43 | Editado 17/09/2025 15:24
O domingo, 14 de setembro de 2025, marcou o segundo e último dia da ManiFiesta, encerrando o festival da solidariedade com intensidade política e cultural. O sol e o calor deram à jornada um clima de festa, no qual a convivência entre gerações se misturava ao engajamento coletivo, crianças corriam nos brinquedos, jovens treinavam boxe e dançavam, senhores e senhoras de idade avançada caminhavam de um lado para outro, e militantes de todas as idades lotavam as tendas de debates. O espírito era de celebração, mas sobretudo de luta, e a Palestina esteve no centro dessa mobilização.
Desde cedo, o ambiente foi tomado pelos símbolos palestinos, bandeiras, keffiyehs, camisetas, adesivos, barquinhos de papel e bonés formavam uma paisagem de cores e mensagens que lembravam a cada passo a resistência de um povo que enfrenta décadas de opressão. Entre esses ícones, até mesmo os uniformes do Palestino chileno apareciam, lembrando como o esporte também é palco de solidariedade e identidade. A presença material desses elementos foi mais que estética, traduziu o compromisso dos participantes em transformar a solidariedade em prática cotidiana e visível.
A programação refletiu essa centralidade. No CinéFiesta Right, o debate “La Palestine résiste!” reuniu Matilde De Cooman, Ansje Vanbeselaere, Salah Hamouri, Basil Farraj e Mohammed Salha. Em diferentes idiomas, vozes palestinas e solidárias relataram a realidade do genocídio, a dureza da ocupação e a firmeza da resistência, numa conversa que emocionou e politizou a plateia. Foi um momento de denúncia e de afirmação da esperança.
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Logo em seguida, a Tenda MundoFiesta recebeu o encontro “Le Groupe de La Haye : Le sud global se soulève pour la Palestine!”. Ikram Koudoussi, Marc Botenga, Varsha Gandikota Nellutla e Shahd Hammouri discutiram como o Sul Global se articula para denunciar o colonialismo e sustentar a causa palestina como parte de um movimento internacional mais amplo. O debate mostrou que a Palestina não é apenas uma questão regional, mas um símbolo universal das lutas de libertação.
A força da programação, no entanto, não se restringiu à Palestina. A Tenda Intal acolheu o debate “Le Congo au cœur des luttes géopolitiques”, com Isabelle Minnon, Marc Botenga e Komeza Maximilien Ngendakumana, trazendo à tona as disputas internacionais em torno dos recursos naturais africanos. No Village Syndical, o encontro “Libertés syndicales et services publics” destacou a centralidade dos direitos trabalhistas como pilares de uma democracia saudável. Já a Tenda Débat recebeu um nome de peso como Jeremy Corbyn, ex-líder do Partido Trabalhista do Reino Unido e criador do “Your Party”, junto com a deputada Zarah Sultana.
O internacionalismo sindical também teve espaço. Ainda na Tenda MundoFiesta, militantes se reuniram no “Meeting de lutte des syndicalistes pour Cuba”, reafirmando o apoio à ilha socialista diante das pressões externas. Em paralelo, ocorreu a “Rencontre entre élus ouvriers belges et allemands”, reforçando os laços entre parlamentares da classe trabalhadora da Europa. A variedade dos temas mostrou que a ManiFiesta é uma confluência de lutas, mas a tônica da solidariedade internacional permaneceu como fio condutor.
O dia terminou com a sensação de que a ManiFiesta não foi apenas um festival, mas um espaço de construção de unidade. Entre risos de crianças, passos tranquilos de senhores e senhoras, suor de jovens atletas, camisas do Palestino chileno e discursos carregados de emoção e denúncia, ficou claro que a Palestina foi a grande protagonista deste domingo. A denúncia do genocídio e o apelo à solidariedade ativa marcaram a memória coletiva do evento, lembrando a todos que resistir é também celebrar a vida, e que a luta de um povo pela liberdade é, no fundo, a luta de todos os povos.