Apenas 33% dos norte-americanos apoiam o ataque dos EUA à Venezuela
Pesquisa Reuters/Ipsos aponta apoio minoritário à ofensiva contra a Venezuela, ampla preocupação com escalada militar e rejeição ao envio de tropas entre a população dos EUA
Publicado 07/01/2026 11:11 | Editado 08/01/2026 19:49
Apenas 33% dos norte-americanos apoiam os ataques militares ordenados pelo presidente Donald Trump contra a Venezuela, segundo a pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira (5), enquanto 72% dizem temer que os Estados Unidos se envolvam de forma excessiva no país sul-americano após a ofensiva que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro.
O levantamento indica que a ação militar enfrenta resistência ampla na sociedade norte-americana, sobretudo quando considerados seus possíveis desdobramentos.
Conforme a pesquisa Reuters/Ipsos, 33% dos norte-americanos afirmam aprovar o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela, enquanto 34% dizem desaprovar a ofensiva. Outros 32% declararam não ter posição definida sobre a ação militar.
A pesquisa também aponta que a maioria dos norte-americanos vê com preocupação a possibilidade de uma escalada da ofensiva.
No levantamento, 72% dos entrevistados afirmam temer que os Estados Unidos se envolvam de forma excessiva na Venezuela após a operação militar, enquanto 25% dizem não ter essa preocupação. Outros 3% não responderam.
A pesquisa Reuters/Ipsos ouviu 1.248 adultos em todo o território dos Estados Unidos, entre domingo (4) e segunda-feira (5), por meio de questionário online, e tem margem de erro de três pontos percentuais.
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O levantamento também registrou a taxa de aprovação do presidente Donald Trump em 42%, o maior nível desde outubro, acima dos 39% observados em dezembro.
Ainda de acordo com a pesquisa, 74% dos entrevistados disseram estar preocupados com o risco à vida de militares dos Estados Unidos, enquanto 69% manifestaram apreensão com os custos financeiros da operação.
A maioria também declarou receio de que a intervenção leve a um envolvimento prolongado de Washington na crise venezuelana.
A operação militar foi realizada na madrugada de sábado (3), quando as forças armadas dos Estados Unidos bombardearam alvos em território venezuelano e capturaram o presidente Nicolás Maduro, levado à força para Nova York.
O ataque é uma agressão direta à soberania da Venezuela e uma violação do direito internacional, com impactos que extrapolam o país e atingem a estabilidade da América Latina como um todo.
Apoio concentrado entre eleitores republicanos
O apoio à ofensiva militar aparece fortemente concentrado entre eleitores do Partido Republicano.
Segundo a pesquisa Reuters/Ipsos, 65% dos republicanos disseram aprovar os ataques dos Estados Unidos à Venezuela, percentual que contrasta com os 11% registrados entre democratas e os 23% entre eleitores independentes.
No conjunto da população, o respaldo à escalada militar é mais restrito: apenas 30% dos entrevistados se disseram favoráveis ao envio de tropas norte-americanas para território venezuelano.
Entre republicanos, o levantamento aponta apoio elevado a medidas de força e a uma presença direta dos Estados Unidos no país.
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Sessenta por cento afirmaram apoiar o envio de tropas para a Venezuela, enquanto 65% disseram concordar com a ideia de que Washington passe a governar o país até a formação de um novo governo.
Ainda dentro desse grupo, 59% declararam apoiar que os Estados Unidos assumam o controle dos campos de petróleo venezuelanos.
A pesquisa também mediu o respaldo a uma política externa de dominação dos Estados Unidos sobre o Hemisfério Ocidental.
Entre eleitores republicanos, 43% concordaram com a afirmação de que os Estados Unidos deveriam adotar uma política de dominar os assuntos do Hemisfério Ocidental, enquanto 19% discordaram. O restante afirmou não ter opinião formada ou preferiu não responder.