O neoliberalismo tupiniquim e a vassalagem diante do império

No fim das contas, defender um Estado inoperante em um mundo de tubarões não é patriotismo; é traição.

Foto: Paulo Pinto /Agência Brasil

A figura do liberal brasileiro é, muitas vezes, uma caricatura da ignorância. Arrogantes por natureza, eles acreditam ser os únicos intelectuais da economia, embora sua prática raramente passe de uma profunda desonestidade intelectual.

Recordo-me com clareza dos tempos de universidade, na UVA, onde os defensores desse modelo se escondiam nos corredores. Eram figuras que evitavam o debate político real, preferindo as sombras à confrontação de ideias necessária no ambiente acadêmico.

Hoje, essa mesma linhagem se manifesta nos militantes que tratam os Estados Unidos como um altar sagrado e imaculado. Para esses “playboyzinhos” deslumbrados, a civilização ianque é um exemplo que deve ser seguido cegamente, sem qualquer senso crítico.

O que os liberais tupiniquins ignoram, propositalmente ou por cegueira, é a realidade dos fatos sob a atual gestão Trump neste ano de 2026. Enquanto pregam o Estado mínimo para o Brasil, calam-se sobre a agressiva guinada protecionista de Washington.

A administração Trump rompeu com os dogmas do mercado livre ao passar a adquirir participações acionárias (equity stakes) em empresas estratégicas. O governo americano agora troca subsídios por controle e assistência, fortalecendo sua indústria interna.

Trata-se de uma estratégia que mimetiza o modelo de Pequim, uma cópia fiel da política industrial que antes tanto criticavam. O “livre mercado” americano, na verdade, tornou-se uma intervenção direta para proteger a soberania do capital nacional.

Recentemente, essa influência financeira foi oficializada em gigantes como Intel, NVIDIA, AMD e US Steel. O objetivo é garantir segurança nacional e retorno aos contribuintes, assemelhando-se às políticas industriais que vemos na Europa e na Ásia.

Para as grandes potências, o neoliberalismo é apenas uma mercadoria de exportação, jamais de consumo interno. Eles mantêm o Estado forte e o protecionismo exacerbado, enquanto tentam convencer o resto do mundo a abrir mão de suas próprias defesas.

Nessa lógica perversa, qualquer nação que ouse defender sua própria indústria e soberania — seja a Rússia, o Vietnã ou a Coreia Popular — é prontamente rotulada como ditadura. É o preço cobrado por não aceitar a vassalagem imposta pelo império.

No fim das contas, defender um Estado inoperante em um mundo de tubarões não é patriotismo; é traição. Ser liberal, diante dessa realidade geopolítica, é posicionar-se contra a própria pátria e pedir para ser vassalo de interesses estrangeiros.

Diego Sousa – Assessor de imprensa, escritor, produtor audiovisual, designer e crítico político. Possui graduação em Sociologia, com grande interesse na área da Educação, com ênfase nas Ciências Sociais.

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