8 de Março – Não me mande Flores

“Dia Internacional da Mulher, e aqui estamos nós, vitimadas, desrespeitadas, resistindo sem nem bem entender a ganância e a crueldade dos inimigos!”

Imagem: Reprodução

O ano é 2020 no Brasil. A cada nove horas uma mulher é assassinada. A cada oito minutos, uma mulher, menina ou adolescente é estuprada. A cada dia, seis meninas de 10 a 14 anos passam por interrupção da gravidez causada por violência sexual. E 80.948 mulheres precisam ser atendidas pelo SUS em função de abortos inseguros durante este período.

2021 chega junto com o agravamento da pandemia. Os primeiros dias de março dão conta de onze milhões de contaminados e mais de 260 mil mortos pela Covid-19. A crise econômica joga aquela que já foi a 6º maior economia do mundo para 12º lugar, enquanto 68 milhões de pessoas, literalmente, morrem de fome.

Este Brasil onde crescem os feminicídios é o mesmo onde o presidente, em vez de liberar a compra de vacinas quer liberar o armamento pessoal. O escandaloso número de meninas e mulheres vítimas de violência sexual não comove um teocrático Ministério da Mulher, da Família e Direitos Humanos a ponto de pensar em campanhas eficazes de educação sexual. Mortes ou sequelas causadas por abortos feitos com equipamentos e em condições precárias não impedem que o fundamentalismo religioso tente implementar um famigerado Estatuto do Nascituro, onde sequer o risco de morte da mãe, gestação originada em violência sexual ou má-formação que impeça a vida do feto após o parto sejam suficientes para interromper a gravidez.

Neste Brasil, onde 45% dos domicílios são chefiados e sustentados por mulheres e a união civil entre pessoas do mesmo sexo aumenta a cada ano, o cristofascismo quer aprovar um famigerado Estatuto da Família, que declara família aquela formada por homem-mulher, ascendentes e descendentes, colocando o homem como seu chefe!

É este o país de hoje, 8 de março de 2021. Um Brasil de milhões de desempregados, desalentados, precarizados, adoecidos, invisibilizados e explorados. Um país cheio de preconceitos, governado por um corrupto machista, misógino, homofóbico, racista e sem dignidade. Apoiado por uma casta minoritária tão desonrada quanto ele. Dia Internacional da Mulher, e aqui estamos nós, vitimadas, desrespeitadas, resistindo sem nem bem entender a ganância e a crueldade dos inimigos! Convivendo todos os dias com a ameaça concreta de morte por falta de vontade política, por desdenhar da ciência e recusar a única alternativa de vida: A vacina!

Então, hoje, nem pense em parabenizar as mulheres, muito menos em oferecer flores. Não há nada a comemorar. Hoje, o que nos mantém vivas é a determinação de não aceitar o genocídio imposto a toda a população. Você, mulher ou homem, ofereça sua solidariedade. Lute! Da forma que conseguir. Organize-se. E engaje-se na luta concreta para derrotar a opressão que se abate hoje em todo este Brasil. Porque sem muita luta a vida seguirá escoando entre os dedos do neoliberalismo!

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