As eleições presidenciais dos EUA e a sinuca do Capetão

O alinhamento submisso e incondicional do Brasil à política internacional americana isolou o país na comunidade internacional. Com as eleições nos EUA, o cenário irá mudar.

Bolsonaro nos EUA | Kevin Lamarque/Reuters

Na terça-feira, dia 3 de novembro de 2020, serão realizadas as eleições presidenciais nos Estados Unidos da América (EUA), a potência imperial, num clima de grande expectativa e apreensão, pela condução tanto idiossincrática quanto disparatada da administração daquele país por Donald Trump, do Partido Republicano, o presidente atual e candidato à reeleição. O seu oponente é Joseph Biden, do Partido Democrata, influente ex-senador (1973-2009) e ex-vice presidente de Barack Obama (2009-2017).

De fato, Donald Trump conduziu o seu mandato de maneira radical e a repudiar o sistema de direito internacional público da Organização das Nações Unidas (ONU) de uma maneira sem precedentes, mesmo para um presidente e dos EUA. Ademais, o atual presidente americano se tornou um inimigo da cooperação internacional, da saúde pública, do meio ambiente, do direito, da moral, da decência e da dignidade humana. A atuação de Donald Trump tem sido tão temerária e inconsequente que, até mesmo para o eleitor americano, acostumado com o exercício arbitrário das próprias razões, por parte de seu país, pareceu extraordinariamente peculiar.

Pois bem, o presidente do Brasil, assessorado que é por um exército Brancaleone formado por uma corja de agentes civis e militares incompetentes, ignorantes, trôpegos e irresponsáveis, procurou logo se aproximar de Trump, seguindo contatos feitos antes mesmo das eleições brasileiras, em seguimento à campanha de desestabilização de nossas instituições pelos serviços de inteligência dos EUA.

Apoiados pela choldra do setor bancário e empresarial fascista, imitaram a agenda doméstica americana, inclusive na área da saúde pública, com resultados devastadores. Cerca de 250 mil cidadãos terão morrido diretamente como resultado da gestão criminosa da saúde pública e a economia arruinada pela incompetência, arrogância e insensibilidade do governo brasileiro, por ocasião das eleições americanas. Muitas dezenas de milhões de brasileiros terão sofrido a penúria, a miséria e a esqualidez como resultado.

Assim, queria a súcia brasileira alinhar-se automática e incondicionalmente a Trump, entregando a soberania nacional, em troca de um suposto apoio na manutenção de sua sufocante agenda de desmonte do estado brasileiro e da afirmação de vantagens para o capitalismo rentista. Esta programação foi conduzida pelo grupo dos militares entreguistas e corporativistas, pela horda dos evangélicos radicais, de fortes laços com os EUA, e pelos costumeiros oportunistas imorais, a soldo do fascismo, integrados pelo bando formado por quadros quer do segmento bancário, quer do agronegócio. Por sua vez, a política externa brasileira vem sendo conduzida, em sua renúncia aos nossos interesses internacionais, pelo tanto torpe quanto tétrico, o tremendo terraplanista, Ribbentrop dos trópicos.

Como consequência, o Brasil se isolou na comunidade internacional, na qual havia sempre sido um interlocutor respeitado, ficando totalmente à mercê dos EUA, o Estado predador. Sobrou ainda uma aproximação com Israel, o qual sempre demonstrou, até mais do que os outros, não dever ter um Estado amigos, mas sim interesses. No afã de agradar o seu patrão, amo e senhor, o governo brasileiro postou-se mesmo contra a China, o principal parceiro comercial e investidor no Brasil. Alinhou-se ainda contra Cuba e Venezuela, contrariando décadas de posicionamentos solidários da diplomacia brasileira. Movidos pela ignorância e pelo desrespeito fascista à ordem moral e jurídica, o governo brasileiro, seus componentes e círculos próximos a ele ligados, milicianos ou não, começaram a tomar posições públicas de apoio a Trump, em sua tentativa de reeleição, ignorando as boas práticas e os riscos inerentes a tal postura.

Ocorre que o candidato da oposição à presidência, Joseph Biden, neste momento lidera com larga margem as pesquisas de opinião pública e, se eleito, irá provavelmente alterar muito da política externa dos EUA, para além da doméstica. É possível que a tolerância e apoio daquele país à orquestrada destruição da flora e da fauna brasileiras deixe de existir. Ao contrário, uma firme oposição seria de se esperar. Da mesma maneira, a postura institucional do governo brasileiro contra as mulheres, os negros, as populações LGBT e a saúde pública poderá ser questionada nos foros internacionais. A insensibilidade histórica do Brasil aos carentes provavelmente tornar-se-á mais repugnante à opinião pública externa, como já foi na questão da escravidão. A percepção do governo do Brasil como um pária irá aumentar. Seguir-se-á uma ainda mais acentuada queda de investimentos no País; boicotes comerciais contra produtos brasileiros poderão ser institucionalizados; e represálias contra empresas e indivíduos brasileiros poderão ser implantadas, inclusive nas áreas de movimentação de pessoas e acesso a mercados.

O Brasil restará isolado e sem aliados na arena internacional. Seus acusadores serão liderados pelos EUA, a potência imperial, que pensa em seus próprios interesses. Seus defensores de ponta serão a súcia do anacrônico militarismo brasileiro, liderada por generais ciosos de seu corporativismo, a chafurdar na imundície moral de seus privilégios, saudosos de seu arbítrio e orgulhosos de seu passado de torturadores da Nação. A recepção internacional de eventuais posições apresentadas por indivíduos de tamanha triste e asquerosa figura será, naturalmente, a pior possível. Nem mesmo Hitler e sua poderosa Alemanha, o Japão militarista e a Itália fascista com seus banqueiros e industriais aristocráticos de merda puderam resistir ao poderio da coligação americana. O quê dizer do Truão e de seu time de folclóricos e nauseabundos palhaços?

Quando os interesses nacionais arderem, juntamente com nossas florestas e se dissiparem no ocaso, como nossa fauna, por força de tais circunstâncias, a malta fascista dos bancos e os empresários oportunistas irá certamente desembarcar do barco naufragante deste lúgubre governo brasileiro e buscará um outro, que promova os seus interesses. Para tanto, procurará usar os bilhões de dólares entesourados no exterior. Será que poderá continuar a fazê-lo, como tem ocorrido repetitivamente em nossa história, ou colocaremos um basta em tais aventuras?

E se Trump, contra as previsões, vier a vencer Biden? De qualquer maneira, mais uma vez, o Brasil terá que ser reerguido pela vontade de seu povo.

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