Brasil fora do Mapa da Fome: O caminho é a política
Políticas redistributivas e crescimento econômico foram determinantes na retirada do país do Mapa da Fome
Publicado 01/08/2025 11:35 | Editado 01/08/2025 11:36
A saída do Brasil do Mapa da Fome confirma a importância das políticas econômicas redistributivas e da atuação do Estado com o objetivo de alavancar o crescimento econômico com distribuição de renda. Além disso, reforça as críticas às medidas adotadas no Brasil nos últimos dez anos, baseadas em uma política fiscal austera e nas reformas trabalhista e da previdência. Esse resultado nos mostra que a solução para lidar com os problemas do Brasil é, e sempre foi, política.
Em meio a um turbulento ano eleitoral, em 2014, o Brasil recebeu, pela primeira vez, o relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) com uma grande notícia para a nação: o país saíra do Mapa da Fome.
Esse resultado positivo se consolidou pelos anos de atuação do Estado com políticas redistributivas, a exemplo do Bolsa Família, mas também com atuação direta para potencializar o crescimento econômico, resultando em aumentos significativas no número de trabalhadores formais e valorização do salário mínimo. Essas políticas e resultados culminaram no avanço civilizatório do Brasil ao sair do Mapa da Fome.
Contudo, com a crise econômica e política iniciada em 2014/2015, os retrocessos começaram. Seus efeitos impactaram diretamente no aumento do desemprego no Brasil, na queda da arrecadação e dos gastos públicos, além de favorecer um ambiente político para a ascensão da extrema direita.
Nesse cenário, políticas de austeridade fiscal apareceram como uma forma de “salvar o Brasil”.
As propostas que se consolidaram a partir desse período foram as políticas de austeridade fiscal (teto de gastos), reformas trabalhista e na previdência, que precarizaram a distribuição de renda e o potencial dessas para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil, contribuindo, profundamente, para a volta do país ao Mapa da Fome em 2019.
Com a crise internacional motivada pela Covid-19 a partir de 2019, reacendeu-se a importância da Política Econômica redistributiva e da atuação do Estado em âmbito mundial, o que reforçou, não sem conflitos, a relevância de uma maior atuação do Estado brasileiro no fomento de políticas que gerem efeitos sociais e econômicos positivos e redistributivos.
Isso foi reforçado e reafirmado com o programa de governo escolhido na última eleição, além do desmonte do teto de gastos e da reformulação mais inclusiva do Bolsa Família, além do retorno aos programas de investimentos públicos na economia brasileira, o que impactou, dentre outras políticas, no crescimento econômico do Brasil, ainda que limitado em seu potencial devido à política monetária restritiva do país. O sucesso dessas políticas, mesmo não elevada a todo o seu potencial, influenciou diretamente na saída do Brasil do Mapa da Fome.
O retorno ao avanço civilizatório — simbolizado pela retirada do país do Mapa da Fome — nos envia uma mensagem importante de que o caminho para o desenvolvimento é pela política.