Netanyahu e Trump atiçam a revolta palestina

Os palestinos preparam seu contra-ataque se a anexação da Cisjordânia ocorrer. A Autoridade Palestina pode declarar sua soberania sobre a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental, o que tornaria incontornável a proclamação da independência e a fundação do Estado nacional palestino

A partir da próxima quarta-feira, 1º de julho, o governo de Israel poderá apresentar o plano de anexação de territórios palestinos na Cisjordânia, onde estão instaladas colônias israelenses ilegalmente. Faz tempo que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tem manifestado essa intenção, que é apresentada ao público sionista como realização de promessas de campanha eleitoral. Ele contenta os apetites internos de forças expansionistas, mas atiça o conflito e revolta os palestinos.

De fato, em várias entrevistas e comícios eleitorais, Netanyahu anunciou sua intenção de anexar a Israel os assentamentos judaicos construídos no Vale do Jordão. A palavra de ordem dos sionistas é “aplicar a soberania de Israel imediatamente após as eleições”.

“Se consumado, o plano sepulta qualquer chance de implementação do direito do povo palestino a consolidar seu Estado soberano”, afirma documento da campanha mundial em que entidades palestinas recolhem assinaturas contra a iniciativa israelense.

Netanyahu pretende dar esse novo passo baseado na suposta força política do governo de coalizão e no respaldo adquirido no plano internacional do seu incondicional aliado, o imperialismo estadunidense, depois da adoção do “acordo do século”. Com a finalidade de impedir qualquer ideia de concretizar a fundação de um Estado palestino, os Estados Unidos decidiram apoiar os planos de Israel para anexar grande parte da Cisjordânia.

O chamado “acordo do século” não é um acordo mas um plano a mais no quadro da estratégia norte-americana para a “solução” do conflito gerado pela ocupação israelense, desenhado para atender às exigências dos agressores e pôr as vítimas na defensiva. O plano Trump respalda a anexação de todas as colônias israelenses e proclama a soberania de Israel sobre territórios palestinos ocupados ilegalmente e pela força, com amparo “manu militari”. É um plano unilateral, que desde o início foi rechaçado pelos palestinos.

O Plano Trump estipula a perpetuação do domínio israelense sobre Jerusalém e rejeita categoricamente o retorno de refugiados.

Trump dá total respaldo às exigências israelenses quanto à própria segurança e exige que um eventual Estado palestino seja desmilitarizado. Há um aspecto bizarro: exige-se que o controle de acesso às fronteiras palestinas, por terra, mar ou ar, continue nas mãos dos israelenses.

O governo Netanyahu pretende agora realizar com o apoio diplomático da superpotência estadunidense – que sempre corre paralelo ao apoio militar e financeiro – o sonho nascido sob a ação de grupos extremistas como Haganáh e assemelhados, baseados em uma ideologia que desde os seus primórdios representa um movimento colonialista destinado a forjar uma ponta de lança no Oriente Médio. Sempre com o apoio de potências imperialistas. Antes, o Império Britânico, hoje o norte-americano.

Hoje, na Cisjordânia, colonos armados até os dentes, se preparam para tomar definitivamente territórios palestinos que pilharam ilegalmente.

A concretização dos anunciados planos de Netanyahu vai sem dúvidas provocar a revolta palestina e pode suscitar repulsa mundial. O respaldo de Trump não será suficiente para legitimar o colonialismo israelense. O chefe da Casa Branca encontra-se isolado internamente e sem autoridade internacional.

Os palestinos preparam seu contra-ataque se a anexação da Cisjordânia ocorrer. A Autoridade Palestina pode declarar sua soberania sobre a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental, o que tornaria incontornável a proclamação da independência e a fundação do Estado nacional palestino.

Qualquer outra solução pode gerar o imponderável no Oriente Médio.

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