O governo Michel Temer anunciou nesta terça-feira (6) os detalhes da reforma da Previdência que enviará ao Congresso e, mais uma vez, as Forças Armadas foram poupadas do "esforço coletivo" para aumentar o cofre das aposentadorias no Brasil.
Pascoal Carneiro, Secretário de Previdência da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) afirmou que a reunião entre o presidente Michel Temer e as centrais foi apenas jogo de cena para a imprensa. “Não trouxe nada de novo”, disse. Para Epitácio Luiz Epaminondas, o Luizão, presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sintapi-CUT), a reforma de Temer é “imposição”.
O ataque aos direitos trabalhistas foi tema da 4° Plenária Nacional Comerciária da União Geral dos Trabalhadores (UGT) encerrada na última sexta-feira (25) em Florianópolis (SC). Durante três dias estiveram reunidos 290 dirigentes de todo o país, que aprovaram a “Carta de Florianópolis”, documento-síntese das deliberações do encontro.
Os portuários do Brasil vão cruzar os braços nesta quarta-feira (30) contra as medidas do governo Temer que retiram direitos dos trabalhadores.Através de um comunicado conjunto da Federação Nacional dos Portuários (FNP), Federação Nacional dos Estivadores (FNE) e Federação Nacional dos Conferentes e Consertadores de Cargas e Descargas, Vigias Portuários, Trabalhadores de Bloco e Arrumadores de Navios (FENCCOVIB) foi divulgado que serão 24 horas de paralisação nacional das atividades do segmento.
O economista Eduardo Fagnani afirma que o governo Michel Temer quer implementar uma reforma “meramente fiscalista”, que desconsidera o fato de que a Previdência é o maior instrumento de proteção social do país, com impacto direto ou indireto sobre cerca de metade da população. Para ele, a reforma se insere em um contexto de ataque ao Estado social e tentativa de implantação do Estado mínimo. O professor denuncia inverdades no discurso do governo e propõe alternativas ao ajuste fiscal.
Centrais sindicais e movimentos sociais e políticos se reuniram na manhã desta sexta-feira (25) em frente ao INSS, em São Paulo, no Dia Nacional de Lutas, com paralisações, greves e mobilizações. O ato unificado das centrais protesta contra a retirada de direitos representada pelas reformas da previdência e trabalhista e pela PEC 55, que congela investimentos sociais por 20 anos.
A centrais sindicais unificadas, em conjunto com entidades dos movimentos sociais, realizam desde a madrugada desta sexta-feira (25) centenas atos e paralisações, em diversas regões do país, para dizer não ao pacote do governo Temer que retira direitos trabalhistas e sociais, representados através da Reforma Trabalhista, da Previdência e a Proposta de Emenda Parlamentar (PEC) 241- 55.
Governo Federal, Judiciário e legislativo tem colocado à prova a resistência dos trabalhadores. A resposta é mais um dia de luta, paralisações e protestos que acontecerá nesta sexta-feira (25) em ato unificado das centrais sindicais por todo o Brasil. Na berlinda as reformas da Previdência, trabalhista e a Proposta de Emenda Parlamentar (PEC) 55. Em São Paulo, dirigentes nacionais realizam ato às 11h, em frente ao prédio do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS).
Por Railídia Carvalho
Trabalhadores do Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia, Minas Gerais e Pernambuco, entre outros estados, confirmaram participação na jornada de lutas em defesa dos direitos sociais e trabalhistas que acontece nesta sexta-feira (25) em todo o país. Sob a iniciativa das centrais sindicais, os atos denunciam medidas de Temer que ameaçam deixar a população desassistida como as reformas da previdência social e trabalhista e a proposta de emenda constitucional que congela gastos públicos por 20 anos.
O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou, nesta terça (22), que os militares ficarão de fora do projeto de reforma da Previdência Social. Segundo ele, a proposta que o governo Michel Temer quer apresentar ao Congresso em dezembro contempla mudanças apenas aos civis. De acordo com reportagem publicada por O Globo, embora representem um terço dos servidores, os militares respondem por quase metade do alegado déficit da previdência da União, contestado por diversos economistas.
No seminário “Previdência Social: reformar ou destruir?”, a professora de economia na UFRJ Denise Gentil apontou as contradições no discurso do governo em relação às medidas de ajuste fiscal. De acordo com ela, a gestão propõe um corte de gastos que afetará os mais pobres, mas protege empresários e rentistas.
A unidade das principais centrais de trabalhadores do país tem demonstrado fôlego contra a política de retirada de direitos sociais e trabalhistas apresentada pelo governo de Michel Temer. No dia 25, as entidades realizam novos protestos contra as reformas trabalhista e previdenciária de Temer. Na avaliação dos dirigentes, o fortalecimento dos atos é um novo elemento na conjuntura.