Na manhã desta quarta-feira (8), um incêndio na prisão de San Miguel, em Santiago do Chile, matou 83 presos. Segundo o presidente do país, Sebastián Piñera, o número de mortos ainda pode aumentar. As mortes foram provocadas em sua maioria por asfixia. Guardadas as devidas proporções, a recente tragédia chilena em muito lembra o massacre, operado pela tropa de choque, no Carandiru, em 2 de outubro de 1992, quando 111 presos foram mortos pelas forças policiais de São Paulo.
Por Carla Santos
As comunidades populares do Rio de Janeiro que receberam as unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) vão ter também núcleos de Justiça. Para isso, um convênio será assinado nesta terça-feira (7) entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o governo fluminense.
O Batalhão de Campanha que a PM montou para patrulhar o Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro começou a funcionar na tarde desta segunda-feira (6). Comandanda pelo coronel Edvaldo Camelo, que já esteve à frente do 5º BPM (Praça da Harmonia) e do 9º BPM (Rocha Miranda), a unidade tem 250 homens e funciona provisoriamente nas dependências do 16º BPM (Olaria) que serviam de base para os policiais da Força Nacional de Segurança. O batalhão fará a transição até a instalação das UPPs da região.
Como coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do Estado do Rio (1999/2000) e secretário nacional de Segurança Pública (2003), o antropólogo Luiz Eduardo Soares não conseguiu implantar a maior parte de suas ideias, mas nunca deixou de expressá-las, contrariando os coros de unanimidade.
Em entrevista ao jornal argentino Página/12, o governador eleito do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, fala sobre a política de segurança pública que vem sendo construída pelo governo federal em parceria com Estados e municípios. Como ministro da Justiça, Tarso foi um dos principais elaboradores dessa política que está ganhando atenção internacional a partir dos recentes acontecimentos do Rio de Janeiro.
A reunião de líderes que definirá a pauta de votação desta semana da Câmara dos Deputados, que acontece nesta terça-feira (30/11), deverá incluir o PL 6578/2009, que torna mais rígidas as ações de combate ao crime organizado no país.
Pode parecer repetitivo, mas é isso: uma solução para a segurança pública do Rio terá de passar pela garantia dos direitos dos cidadãos da favela
Discutindo a crise, a mídia reproduz o mito da polaridade polícia versus tráfico, perdendo o foco, ignorando o decisivo: como, quem, em que termos e por que meios se fará a reforma radical das polícias, no Rio, para que estas deixem de ser incubadoras de milícias, máfias, tráfico de armas e drogas, crime violento, brutalidade, corrupção?
por Luiz Eduardo Soares*, em seu blog
Há quase dois anos, o governo do Rio de Janeiro implantava no morro Santa Marta, em Botafogo, a primeira Unidade de Polícia Pacificadora. Se no início a novidade parecia mais um programa fadado ao fracasso ou à mera pirotecnia política, hoje – quando 12 comunidades contam com UPPs e cerca de 200 mil pessoas são beneficiadas – seus resultados podem ter sido suficientemente incômodos ao ponto de se transformarem no foco da onda de violência que tem alarmado cariocas e fluminenses.
O período eleitoral acabou e, com seu fim, muitas promessas que foram anunciadas na campanha agora começam a ser confrontadas com a realidade. Vários governadores que foram eleitos ou reeleitos prometendo investir em segurança pública com valorização dos policiais agora colocam na balança o custo da promessa e promovem um boicote à PEC 300, que estabelece um piso nacional para os salários dos policiais e bombeiros.
Pesquisa divulgada pelo Senado mostra que 61% dos brasileiros acham que sua situação econômica vai melhorar nos próximos seis meses, contra apenas 6% que acham que vai piorar. A saúde é a área que mais preocupa, abrangendo 35% dos entrevistados.
Nos próximos quatro anos, serão investidos R$ 1,6 bilhão para a construção de 2.883 unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em todo país. De acordo com o secretário executivo do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), Ronaldo Teixeira, já há recursos previstos para o início das obras no orçamento de 2011.