Eles são centenas de homens e mulheres, "retirantes dos largos sertões brasileiros, filhos das grotas e das currutelas, das matas e da alargada pobreza", e reivindicam ao companhaeiro Lula: "Mais do que nunca precisamos de vozes a defender o nosso povo sofrido, seja aqui ou em qualquer lugar deste país brasileiro onde houver, contra os mais modestos, humilhações como as que têm sido feitas contra nós, lavradores dos sertões do Araguaia." Leia a íntegra a seguir:
O juiz titular da Vara de Violência Contra a Mulher da Comarca de Marabá (PA), Murilo Lemos Simão, decretou nesta sexta-feira (29) a prisão preventiva de três pessoas acusadas de matar o casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva.
O agricultor Francisco Soares Oliveira, de 46 anos, foi executado a tiros de espingarda dentro do assentamento Alto Bonito, na zona rural de Dom Eliseu, cidade no sudeste do Pará, distante 333 quilômetros de Belém. O crime aconteceu no domingo (24). Polícia prendeu 2 suspeitos e descarta conflito agrário
Segundo a Comissão Pastoral da Terra, de Marabá (PA), os acusados pelo crime foram beneficiados por omissão do juiz. Confira a seguir a nota divulgada pela Comissão nesta quarta-feira (20), relatando as investigações da morte de casal assassinado no assentamento Nova Ipixuna, no Pará:
Foi divulgado nessa quarta (20) pela Polícia Civil do Estado do Pará os resultados das investigações sobre o assassinato do casal José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva, ocorrido em 24 de maio no assentamento agroextrativista Praia Alta Piranheira, em Nova Ipixuna. O mandante do crime, segundo a polícia, foi o fazendeiro pecuarista José Rodrigues Moreira.
Passado dois meses, as autoridades policiais não conseguem avançar na apuração dos assassinatos do casal de extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, mortos no dia 24 de maio no assentamento de Praialta Piranheira, em Nova Ipixuna (PA). A denúncia foi feita aos senadores Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e Randolfe Rodrigues (PSOL-PA), que estiveram em diligência no local nesta segunda (11).
Depois das mortes de ativistas ambientais e trabalhadores rurais no Norte do país este ano, 131 pessoas ameaçadas passaram a receber proteção policial por meio de programas do governo federal na região. A informação foi dada nesta terça (5) pela ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário.
A Pública – Agência de Jornalismo Investigativo produziu uma série de reportagens sobre a Guerrilha do Araguaia, focando no impacto da repressão militar na vida dos camponeses da região. As matérias são baseadas em depoimentos de camponeses e ex-soldados que compõem os 149 volumes do processo judicial que investiga do desaparecimento dos guerrilheiros e também em entrevistas inéditas.
Completou um mês no ultimo fim de semana que o casal de extrativista José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva foram assassinados e ninguém foi preso. O Partido Comunista do Brasil divulga nota repudiando o latifúndio e exige o fim da impunidade
A violência no campo continua impune no Pará e a lista dos marcados para morrer cresce, essa é a fotografia de uma sociedade capitalista que explora os recursos naturais em busca do lucro fácil e a qual quer custo. Ao mesmo tempo, também reflete um estado que executa um projeto de desenvolvimento baseado na extração de recursos naturais que perpetuado a séculos.
A impunidade é a principal causa da violência no campo. Em audiência na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, nesta quarta-feira (22), o procurador da 1ª Região, José Marques Teixeira, afirmou que a ineficiência dos órgãos de segurança pública, a "morosidade do Judiciário" e a defasagem do Código de Processo Penal contribuem para essa situação.
O recrudescimento da violência no campo e a impunidade dos crimes contra trabalhadores rurais serão debatidos em audiência pública conjunta das comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, na próxima terça-feira (28). As comissões decidiram discutir o tema motivadas pela necessidade de uma resposta do Legislativo aos recentes assassinatos de lideranças de trabalhadores rurais no Pará e em Rondônia.