A viola caipira no vale das repetições
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Publicado 07/07/2011 17:00
Se a descoberta do Brasil tivesse trilha sonora original, ela seria composta, não muito tempo depois da chegada de Cabral, por um caipira e sua viola. O primeiro mereceria tal honra como legítimo representante da terra e da miscigenação que caracteriza nosso povo, e a segunda como um instrumento que veio pelo mar com a corte, mas se embrenhou nas matas, rendendo-se em centenas de acordes aos dedos rústicos do seu tocador. Sons que são atualizados agora pelo quarteto Viola Arranjada, criado por jovens talentos integrantes da Orquestra Filarmônica de Viola de Campinas, e que acaba de lançar seu primeiro CD, “O Vale das Repetições”.
Por Christiane Marcondes
Assim começou a moda de viola, da criatividade e da imaginação inesgotáveis que o brasileiro não se cansa de explorar e exportar em todas as suas artes. Surgiu bruta, foi lapidada por sentimentos de amor e de dor, do sonho e da volúpia que acompanham o viajante na estrada. Ganhou fama nas canções letradas pelos poetas da vida, na tradição oral de pai pra filho, na saga dos bandeirantes pelos sertões.
Nos anos 1970, virou paixão de Renato Andrade e, nas mãos do consagrado músico, cruzou outras fronteiras. As modinhas sertanejas se tornaram objeto de estudo formal, ganharam nova dimensão e paradigmas de construção.
Nos anos 1980, as sementes lançadas por Renato frutificam nas composições de toda uma geração de violeiros ilustres, como Almir Sater. Nos anos 2000, enfim, a Academia dá boas vindas aos pioneiros e novos adeptos, inaugurando o ensino superior de viola caipira no Brasil.
O jovem musicista Vinícius Muniz conta que teve o primeiro contato com o instrumento aos 12 anos. Já era gaitista, escutou Andrade e se entregou às cordas com o mesmo encantamento das crianças de Hamelin ao lendário flautista do conto dos Irmãos Grimm.
Hoje Vinícius está na Unicamp, concluindo mestrado sobre a obra de Renato, “o fundador desse gênero de música instrumental sertaneja” que deu origem ao CD do quarteto Viola Arranjada, que inclui Vinícius e três dos primeiros bacharéis da viola caipira na USP: Ighor Aguila, Thiago Rossi e Anderson Baptista.
A produção é independente, mas contou com patrocínio da Rotam. As composições são singulares como singular é a sonoridade desse instrumento milenar, que remonta aos alaúdes da Antiguidade, explica Vinícius.
O título do CD, “O Vale das Repetições”, se explica: é pela repetição do diferente que as quatro violas se revelam em detalhes, que uma mesma música transforma-se em muitas, que o ouvido de quem escuta desperta para novos envolvimentos com a trama sonora de incontáveis sutilezas.
Os artistas contam como é esse “lugar” das repetições, o vale que imaginaram e construíram no horizonte da música: “Aqui no Vale, nos interessa o todo, as sobreposições de texturas e timbres, as ambições e as espacialidades”.
O Vale das Repetições, vale repetir, é um convite para ouvir o detalhe, sempre novo!
O grupo está completando sua turnê de lançamento do CD com apoio da Secretaria de Estado da Cultura – PROAC – Circulação de Espetáculos Musicais e do Circuito SESI de Música Popular 2011. Acompanhe a programação de shows:
Agenda Viola Arranjada
17 de julho – Show Viola Arranjada no I Seminário de Viola Caipira de Guarulhos/SP
22 de julho – Show Viola Arranjada em São Sebastião/SP no teatro municipal
14 de agosto – Show Viola Arranjada no encerramento do Festival Violeira Rose Abrão – Barretos/SP
17 de agosto – Show Viola Arranjada no SESC Piracicaba
19 de agosto – Show Viola Arranjada no Festival Violeira de Votorantim/SP
03 de Setembro – Show Viola Arranjada no SESI Vl Leopoldina – São Paulo/SP.
Mais informações:
Twitter: @ViolaArranjada
www.violaarranjada.tnb.art.br
www.violaarranjada.com