Governo colombiano e Farc encerram primeira semana de diálogos
O governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (Farc – EP) completaram neste domingo (25) em Cuba sua primeira semana de conversações de paz, processo marcado pelo hermetismo e a aparente inexistência de tensões entre as partes.
Publicado 25/11/2012 23:26
As delegações que representam o governo de Juan Manuel Santos e a guerrilha instalaram na segunda-feira da semana passada, no Palácio das Convenções de Havana, uma mesa de diálogo com uma agenda de cinco pontos, aos quais se soma um mecanismo de implementação e verificação em caso de que cheguem a estabelecer acordos.
Em sintonia com os entendimentos feitos nos encontros exploratórios e preparatórios, também realizados em Havana, as primeiras jornadas de conversações foram centradas no tema do desenvolvimento agrário integral.
Tanto a equipe do governo, encabeçada pelo ex-vice-presidente Humberto de la Calle, como a das Farc-EP, com o comandante Ivan Marquez à frente, coincidem em dar a essa questão a máxima prioridade para fazer avançar o processo no sentido de pôr fim a um sangrento conflito armado, em que a população é a mais afetada.
As partes têm mantido total reserva sobre as conversações, cumprindo o que tinham acertado previamente: "As discussões da Mesa não se tornarão públicas", segundo estabelece uma das regras fixadas no Acordo Geral para pôr fim ao conflito, documento que rege o diálogo de paz.
Dia após dia, os jornalistas reunidos no Palácio das Convenções à espera da chegada das delegações à sede permanente da Mesa, presenciaram o mesmo cenário, o silêncio dos representantes governamentais e as breves intervenções da guerrilha, com anúncios, denúncias e comentários.
As únicas avaliações conhecidas até o momento da marcha das conversações chegaram do lado dos insurgentes, que descartaram a existência de tensões na mesa e consideraram que seu funcionamento está "em bom caminho e segue com um bom ritmo”.
Contudo, o pronunciamento das Farc-EP de maior impacto foi feito durante a instalação do diálogo, quando Marquez anunciou um cessar-fogo unilateral das ações ofensivas da organização, vigente a partir de 20 de novembro até 20 de janeiro de 2013.
O governo de Santos não tomou semelhante decisão por considerar que tal passo seria o resultado final, caso as conversações alcancem êxito.
Desde então, altos funcionários e militares colombianos acusaram a guerrilha de descumprir seu anúncio, enquanto as Farc-EP denunciam os comandos militares por realizar manobras voltadas para o objetivo de confundir a opinião pública e pôr a insurgência como violadora de seu cessar-fogo unilateral.
Outras intervenções das Farc-EP durante a primeira semana de conversações foram no sentido de solicitar ao presidente norte-americano, Barack Obama, o indulto para o guerrilheiro Simon Trinidad, que foi extraditado aos Estados Unidos, onde em 2008 foi condenado a 60 anos de prisão.
Trinidad faz parte da equipe para o diálogo de paz e sua presença no processo se materializa em cartazes apresentados por seus companheiros.
De acordo com o programa, as partes devem trabalhar três dias seguidos na Mesa, após o que fazem um intervalo de 24 horas, uma oportunidade para realizar avaliações e traçar estratégias internas.
Participação cidadã
Ambas as partes estabeleceram neste domingo um mecanismo para receber em janeiro opiniões e propostas dos cidadãos da Colômbia sobre o diálogo de paz.
Em um comunicado conjunto, o primeiro desde o início da mesa de conversações, as partes informam sobre a realização, de 17 a 19 de dezembro em Bogotá, de um foro sobre o desenvolvimento agrário integral que servirá de espaço para a participação cidadã no processo.
Segundo o documento, a mesa de conversações para buscar o fim do conflito armado que já dura décadas solicitou às Nações Unidas na Colômbia e ao Centro de Pensamento e Acompanhamento do Diálogo de Paz da Universidade Nacional que organizem e atuem como relatores dos debates do encontro.
Foi fixada a data de 8 de janeiro de 2013 para a entrega das conclusões do foro às delegações que participam em uma aproximação que tem como primeiro ponto de sua agenda precisamente o tema da terra e do desenvolvimento agrário integral.
Fontes próximas à equipe do governo explicaram à Prensa Latina que o intervalo de tempo entre o evento e a entrega da informação à Mesa corresponde à necessidade de que acadêmicos e especialistas processem os elementos aportados pelos diferentes atores da sociedade.
Por sua parte, fontes das Farc-EP consideraram o foro sobre o desenvolvimento agrário integral uma importante oportunidade para a participação dos estudantes, camponeses, indígenas, igrejas e sindicatos, entre outros setores, na busca da paz.
O governo e a guerrilha coincidem na utilidade dos resultados do encontro em Bogotá, para o tratamento do tema da terra nas conversações.
Mediante o documento conjunto, as partes adiantaram também a ativação nos próximos dias de uma página da Mesa de conversações na internet.
Fonte: www.zereinaldo.blog.br