Auxílio emergencial foi essencial para informais, aponta Dieese

Auxílio de R$ 600 a R$ 1,2 mil ajudou a compensar perdas de motoristas, entregadores e outros trabalhadores sem carteira assinada.

Entregadores vivem precarização - Foto: Raoni Maddalena

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Covid (Pnad Covid), lançada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para monitorar os efeitos da pandemia, trouxe informações sobre ocupações que não são facilmente captadas pela Pnad Contínua, como a de entregador de mercadorias e a de motoristas, que englobam os trabalhadores vinculados a aplicativos como IFood, Rappi, Uber e outros.

Divulgado nesta segunda-feira (20), o boletim Emprego em Pauta, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) consolidou os dados do IBGE sobre esses profissionais. A maior parte são homens e negros.

Segundo o boletim, a ocupação de motorista (de aplicativo, de táxi, de van, de mototáxi e de ônibus) reunia 2,1 milhões de trabalhadores no país em maio, sendo 59% negros e quase a totalidade (95%) do sexo masculino. O rendimento do grupo era de R$ 1.142 em maio, com queda de 39% em relação ao habitual.

O perfil da ocupação de entregador de mercadorias (de restaurante, farmácia, loja, Uber Eats, IFood, Rappi etc.) é muito semelhante. Eles somavam 646 mil pessoas no Brasil em maio, 94% homens e 62% negros. O rendimento médio efetivo desse contingente também era de R$ 1.142, cerca de 18% a menos que o habitual. A massa de horas efetivas trabalhadas diminuiu 19% em relação ao usual, o que sugere diminuição da demanda desse tipo de serviço.

Auxílio foi essencial

O Dieese destaca que auxílio emergencial, de R$ 600 podendo chegar a R$ 1,2 mil em alguns casos, foi fundamental para que esses e outros trabalhadores informais conseguissem se sustentar durante a pandemia. Mais da metade (56%) dos informais teve perda de rendimento. Entre os formais, 26% apresentaram redução da renda. A renda dos informais caiu 36%, percentual mais alto do que o verificado entre os trabalhadores com carteira assinada (12%).

Entre os trabalhadores que continuaram em atividade, mas que perderam renda, metade recebeu o auxílio emergencial. Os ocupados que acessaram o auxílio recebiam R$ 1.427 como rendimento do trabalho e tiveram perda de R$ 901 em média.

Isso significa que o auxílio praticamente cobriu a maior parte das perdas. Para 76% dos ocupados cujos rendimentos foram reduzidos e que conseguiram acessar os R$ 600 de auxílio, o valor do benefício foi suficiente para cobrir as perdas. Entre os ocupados que receberam R$ 1,2 mil como auxílio, 92% tiveram as perdas cobertas.

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