Preços do óleo e arroz disparam novamente em setembro

Considerando a cesta básica mais cara do país, de Florianópolis, o Dieese estimou que o salário mínimo deveria ter sido equivalente a R$ 4.892,75.

Arroz está mais caro nas prateleiras - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O óleo de soja e o arroz, itens básicos cujos preços já vinham subindo nos últimos meses, registraram alta em 17 capitais em setembro na comparação com agosto. A elevação mensal ultrapassou 30% em alguns casos. Os dados estão na Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Segundo a tomada de preços, que vem sendo feita a distância desde o início da pandemia, as capitais que registraram as maiores altas para o preço do óleo de soja foram Natal (39,62%), Goiânia (36,18%), Recife (33,97%) e João Pessoa (33,86%). Segundo o Dieese, a alta se deve aos estoques baixos de soja e derivados, consequência da alta demanda externa e interna.

Com relação ao valor médio do arroz agulhinha, foram destaque as variações de Curitiba (30,62%), Vitória (27,71%) e Goiânia (26,40%). De acordo com o Dieese, o elevado volume de exportação e os baixos estoques mantiveram os preços em alta.

O custo total da cesta básica também subiu nas 17 capitais pesquisadas. As maiores altas foram observadas em Florianópolis (9,80%), Salvador (9,70%) e Aracaju (7,13%). Florianópolis também teve a cesta básica mais cara do país, no valor de R$ 582,40. A mais barata foi a de Natal, ao custo de R$ 422,31.

Com base na cesta mais cara de setembro, a de Florianópolis, o Dieese estimou que o salário mínimo necessário deveria ter sido equivalente a R$ 4.892,75, o que corresponde a 4,68 vezes o mínimo vigente de R$ 1.045,00. O cálculo é feito levando em consideração uma família de quatro pessoas, com dois adultos e duas crianças. Em agosto, o valor havia sido estimado em R$ 4.536,12.

Outros produtos

Outros produtos que ficaram mais caros em setembro foram a carne bovina (subiu em 16 cidades, com a maior variação, de 14,88%, em Florianópolis) a banana (subiu em 15 cidades, com alta de 19% no Rio de Janeiro e 18,93% em Aracaju), o açúcar (alta em 15 cidades, maior variação, de 8,19%, em Salvador) e o tomate (alta em 14 capitais, chegando a 32,2% em Salvador e 29,11% em Porto Alegre).

“Foram quase os mesmos produtos do mês passado, com variações expressivas em algumas capitais. Há um grande volume de exportação da soja e do arroz. A medida do governo de redução de imposto de importação [do arroz] ainda não surtiu efeito. O açúcar também aumentou a exportação. Além de outros aumentos sazonais, como do tomate e da banana, que, por conta do calor, maturam mais rápido”, comentou Patrícia Lino Costa, supervisora de preços do Dieese.

Setembro foi o primeiro mês de pagamento do novo valor do auxílio emergencial, de R$ 300. Assim, a influência do auxílio de R$ 600, suposta justificativa para os preços mais altos segundo o discurso do governo, não parece tão determinante.

“É uma falácia acreditar que [o motivo da alta dos alimentos] foi o auxílio emergencial. Por que as pessoas iam comer mais no momento de pandemia? Vão continuar comendo normal”, afirma Patrícia. Na avaliação dela, no entanto, ainda não se pode falar em volta da inflação.

“Para voltar, precisa ter um aumento generalizado e, como tem muita gente sem renda, tem outros produtos que estão puxando [os preços] para baixo. Como a gente está com nível de atividade [econômica] menor, a gente não tem inflação ainda. Inflação se espraia para todos os setores”, diz.

Segundo Patrícia, pode haver um alívio sobre os preços do arroz, com o início da colheita do grão. Ela acredita, no entanto, que para outros produtos campeões de exportações – carne, leite, soja e derivados – cujos custos de produção são maiores, a situação de preços elevados tende a se manter, devido à própria política do governo.

“É difícil manter a taxa de câmbio [real frente ao dólar] nesse nível de desvalorização sem uma política agrícola de estoques reguladores dos produtos básicos. O nível dos estoques vem caindo, a Conab [Companhia Nacional de Abastecimento] está esvaziada e começa a ter esse tipo de problema em um momento tão crítico como esse que a gente está vivendo”, comenta a pesquisadora.

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