São Paulo de portas abertas para o vírus

Novas medidas para as escolas são apenas paliativas, que tentam minimizar o sucateamento dos prédios e a precária zeladoria

O governador João Dória (PSDB-SP) anunciou a reclassificação do estado de São Paulo para a fase vermelha do Plano SP. Antes do anúncio, algumas cidades já haviam tomado medidas mais rígidas. Em Araraquara, o prefeito Edinho Silva (PT) decretou o lockdown total – suspendendo inclusive a circulação de ônibus por 15 dias – e iniciou a retomada das atividades de forma gradual, exemplo a ser seguido por outros prefeitos.

Em meio ao caos, e de diariamente estarmos acompanhando o aumento de casos de Covid-19 por todo o estado, Dória oficializou que templos religiosos de qualquer denominação, apesar da fase vermelha, possam fazer seus cultos presencialmente. A determinação também permite que as escolas permaneçam abertas.

O comparecimento às aulas está restrito a até 35% dos alunos matriculados, mas sabemos que os protocolos adotados nas unidades de ensino são insuficientes para conter a contaminação. O vaivém nas escolas aumenta a circulação de pessoas por toda cidade, mesmo com a diminuição de outras atividades.

Enfrentamos problemas com a falta de funcionários, de higienização, de materiais de limpeza e de ambientes arejados – o que não é de hoje, nem começou com a pandemia. Infelizmente, a situação externou o problema de anos das escolas da rede estadual, que estão sob gestão de um mesmo partido há 27 anos.

Como estudante, presenciei por diversas vezes as limitações das escolas públicas, assim como frequentei salas de aula – ambientes hostis com cerca de 40 alunos – praticamente sem ventilação. As novas medidas em vigor são apenas paliativas, que tentam minimizar o sucateamento dos prédios e a precária zeladoria. As unidades devem passar por uma rigorosa revitalização.

É certo manter as escolas de portas abertas para o vírus, sabendo que professores e demais trabalhadores da educação, assim como os alunos, estão correndo risco? Até quando vamos normalizar o aumento de casos e mortes?

O que precisamos é de celeridade na retomada do auxílio emergencial e na aplicação das vacinas, para que todos possam voltar responsavelmente para suas atividades.

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