Marta diz que sua geração “abriu portas para a igualdade”

A craque brasileira comoveu a todos ao falar sobre sua trajetória e inspiração para as futuras gerações em coletiva antes do jogo decisivo contra Jamaica nesta quarta-feira (2)

Marta chora durante entrevista coletiva antes da partida contra a Jamaica ao falar sobre legado e a possibilidade de ser a última partida dela na Copa do Mundo | Foto: William West/AFP)

Em emocionante entrevista coletiva realizada na madrugada desta terça-feira (1º/8), Marta, a lendária camisa 10 da seleção brasileira, deixou os jornalistas presentes com lágrimas nos olhos ao comentar sobre seu legado no esporte. Aos 37 anos, em sua sexta e última Copa do Mundo feminina, a atacante adotou um tom emotivo, mas sincero, ao falar sobre o impacto que teve no futebol feminino ao longo de sua carreira.

“Eu não costumo a pensar na Marta. Quando eu comecei a jogar eu não tinha um ídolo no feminino. Vocês (imprensa) não mostravam o jogo do feminino. Como que eu ia ver? Como eu ia entender que eu poderia chegar a uma seleção e ser referência? Hoje a gente sai na rua e os pais falam: “minha filha quer ser igual a você”. E não é só com a Marta, é com outras atletas também. Hoje temos nossas próprias referências. Não teria acontecido isso sem superar os obstáculos. É uma persistência contínua”, disse a jogadora.

“A gente pede muito que a nossa geração continue assim. A vovó que torce pro Corinthians. A gente fica feliz em ver tudo isso. Há 20 anos, em 2003, ninguém conhecia a Marta. Em 2022, viramos referência para o mundo inteiro. Não só no futebol, mas no jornalismo também. Hoje vemos mulheres aqui, o que não tinha antes. A gente acabou abrindo portas para a igualdade”, completou, fazendo uma nova pausa para conter o choro.

A jogadora também enfatizou o papel das mulheres jornalistas na cobertura esportiva, destacando a importância da presença massiva delas nas salas de entrevistas. Marta lembrou que, assim como no futebol, as mulheres estão conquistando espaço no jornalismo esportivo, abrindo portas para futuras gerações. “Viramos referência para muitas mulheres não só no futebol, mas no jornalismo também. Vemos hoje muitas mulheres, algo que não víamos antigamente. Estamos abrindo portas”.

Ao fazer um balanço sobre a evolução do futebol feminino no mundo, Marta mostrou-se admirada com o progresso alcançado desde sua primeira Copa do Mundo, em 2003. Ela sentiu que grandes dificuldades enfrentadas contra adversárias que antes eram consideradas mais fracas, o que enaltece a crescente qualidade e competitividade do esporte feminino.

“Eu comparo a minha primeira Copa (2003) e as outras que joguei (2007, 2011, 2015 e 2019) e sempre destaco o quanto o futebol feminino vem evoluindo no mundo inteiro. Vemos hoje grandes seleções com uma história rica tendo dificuldades com seleções que antes eram consideradas adversárias fáceis. Isso é o legal do esporte, abrilhanta cada vez mais o futebol feminino. Espero que daqui para frente só venha a crescer ainda mais”, finalizou.

Brasil x Jamaica

Passadas as emoções, o tom da entrevista mudou quando as perguntas se direcionaram para o confronto decisivo contra a Jamaica. De forma enfática, a camisa 10 garantiu que o Brasil sairá classificado do jogo contra o time do país caribenho. “Estou confiante e acredito que vamos seguir na competição.”

Sentada ao lado da técnica sueca Pia Sundhage na entrevista coletiva da Fifa, Marta não escondeu seu desejo de ser titular na partida mesmo tendo sido reserva nas duas partidas da fase de grupos, ela garantiu estar preparada para jogar o tempo necessário, com total dedicação e disposição em campo.

A treinadora sueca Pia Sundhage e a atacante Marta participam de coletiva de imprensa antes do jogo contra a Jamaica | Foto: William West/AFP

“Estou preparada para jogar, não sei quantos minutos, isso é com ela”, disse, olhando para a treinadora Pia Sundhage. “Mas se tiver que jogar os 90 minutos, vou jogar o tempo todo. Se tiver de jogar alguns minutos, vou jogar alguns minutos. Estou bem, treinando normal. Não tem nada que me impeça de entrar e jogar o tempo todo. Não sei se consigo jogar os 90, vou lutar pra jogar os 90 se ela decidir me colocar em campo para jogar. Estou bem e preparada.”

Apesar do favoritismo do Brasil, Marta pregou parcimônia e respeito ao adversário, enfatizando que em campo são “11 contra 11”, sem privilégios extras. “Nunca vi ninguém jogar com 12 ou 13. Temos de fazer acontecer dentro de campo, para que a gente possa se sentir confortável nessa situação. Antes de a bola rolar, é tudo igual. Quando rolar, temos de mostrar o nosso futebol. Isso vai depender do nosso desempenho, até então, não tem nada definido.”

Nesta quarta-feira, dia 2 de agosto, às 7 horas (horário de Brasília) os olhares do mundo do futebol aguardarão a partida entre o Brasil e a Jamaica no Melbourne Rectangular, na Austrália. Para os fãs e admiradores de Marta, será uma oportunidade única de ver a craque em ação e talvez, testemunhar uma das últimas atuações desta lenda do futebol feminino, que deixa um legado imensurável e inspirador para as próximas gerações.

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com agências

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