Lula defende venda direta de diesel e critica privatizações

Presidente argumenta que Petrobras deve atuar para reduzir preços ao consumidor e condena impacto da venda da BR Distribuidora

Lula, ao lado do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante evento em Angra dos Reis (RJ), onde defendeu a venda direta do diesel e criticou a privatização da BR Distribuidora. Foto: Ricardo Stuckert/ PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta segunda-feira (17), que a Petrobras venda diesel diretamente para grandes consumidores, eliminando intermediários que, segundo ele, encarecem o combustível e penalizam a população. 

“A Petrobras tem que tomar uma atitude. A gente precisa vender diesel para os grandes consumidores direto, se puder comprar direto, para que a gente possa baratear o preço do diesel”, disse o presidente

Durante evento em Angra dos Reis (RJ), Lula também criticou as privatizações e destacou que a venda da BR Distribuidora beneficiou apenas investidores privados, sem trazer vantagens para o povo brasileiro.

Em seu discurso, o presidente afirmou que a disparidade entre o preço do diesel na refinaria e o valor cobrado nos postos de combustíveis tem origem na intermediação privada. “A Petrobras vende o diesel por R$ 3,04, e na bomba ele chega a custar mais de R$ 6,49. Ou seja, o povo está sendo assaltado pelo intermediário”, declarou.

Lula argumentou que a estatal deveria fornecer diretamente o combustível a empresas e setores estratégicos, como transporte de cargas e agronegócio, para reduzir os custos operacionais e, consequentemente, o preço final ao consumidor. “Se puder vender direto, para que a gente possa baratear o preço do diesel, vamos fazer”, afirmou.

O presidente também criticou a falta de informação da população sobre a composição dos preços dos combustíveis. “O povo precisa saber quem xingar quando aumenta. A Petrobras leva a fama, mas os estados e os intermediários têm liberdade para definir margens de lucro que prejudicam o consumidor”, disse.

A defesa da venda direta do diesel veio acompanhada de uma crítica contundente à privatização da BR Distribuidora (hoje Vibra), vendida pelo governo de Jair Bolsonaro em 2019. Lula classificou a privatização como um erro estratégico que retirou da Petrobras o controle sobre a distribuição de combustíveis e favoreceu grupos privados.

“Me senti ofendido quando privatizaram a BR Distribuidora. Quem ganhou com isso? O povo, a Petrobras? Não. Quem ganhou foi quem comprou, e muito barato”, afirmou.

O presidente argumentou que a venda de ativos estatais não reduz custos nem melhora os serviços, mas apenas transfere setores estratégicos para o controle do mercado financeiro. “O Brasil já viu esse filme: vendem nossas empresas a preço de banana, e depois a população paga mais caro pelo serviço”, criticou.

A proposta de venda direta do diesel pode enfrentar resistência de distribuidoras privadas, que lucram com a intermediação dos combustíveis. Além disso, especialistas apontam que a mudança exigiria alterações regulatórias na Agência Nacional do Petróleo (ANP) e poderia gerar reação do setor financeiro, que tem participação acionária significativa em empresas de distribuição.

Ainda assim, o governo avalia alternativas para viabilizar o modelo e ampliar o papel da Petrobras na regulação dos preços. Lula defendeu que o Estado tem responsabilidade em evitar abusos do mercado e garantir que a população tenha acesso a combustíveis mais baratos.

“Se a Petrobras é uma empresa estatal, ela precisa ajudar o povo brasileiro. Não dá para deixar que só o mercado decida o que é melhor para o país”, concluiu o presidente.

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