Antuérpio e o furacão cor-de-rosa | Capítulo 7

Uma história para acreditar

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Capítulo 7 – Antuérpio toma uma decisão

Amar as possibilidades: eis ao que um furacão sabe melhor. Sendo cor-de-rosa, a este que vimos acompanhando por aparições e capítulos não escaparia a oportunidade de reaparecer e causar.

De Nina muito se pode prever, menos não alegrar-se. Já vimos que alegria é seu segundo nome e sua natureza mesma. Com ela, sai por aí iluminando profundas distâncias. E esta que vai cobrindo, entre sua morada e algum outro lugar para o qual viaja em férias, inevitavelmente ensolara, como quem ignora que é feixe de estrelas.

Toda virada de ano, sua mãe escolhe uma praia para enfeitar. Desde solteira, cumpre essa sina. Depois que lhe chegou de si a filha, carrega mais esse bocado iluminado de adorno, instala-se com o esposo numa casa alugada ou emprestada e vive sua natureza de mar e caracteres de lua.

Acompanhe os demais capítulos:
Capítulo 1 – Matinas de Antuérpio
Capítulo 2 – O furacão cor-de-rosa
Capítulo 3 – Antuérpio vai ao trabalho
Capítulo 4 – Intermezzo
Capítulo 5 – Raça e cor
Capítulo 6 – A falta que sente… e busca

Lilithiana, não à toa deliberou conceber Nina em noite enluarada e quente. A semente não se fez de rogada e germinou robusta na carne cheirando a quilombos e senzalas. Anunciou-se ao mundo, não com um choro, mas com um grito de guerra. Ao abrir os olhos, encarou a vida com toda a seriedade. Senhora de muitas vidas – dente as quais, pai e mãe figuravam em imediato destaque – compreendeu que vinha para desfazer pactos injustos e inaugurar sentidos diversos às manhãs, e fez-se alegre, sem perder a adamantina arquitetura jamais.

Assim que viu mar, correu seus cinco anos até as fímbrias das águas e, sentada no vai e vem da maré, chapinhou pernas e mãos. O pai a tomou nos braços e avançou um tanto mais. Mergulharam juntos, emergiram juntos, e juntos riram e se espantaram e temeram e voltaram a rir e na areia reapareceram, ela pela mão paterna.

Num outro ponto do espaço e do tempo, Antuérpio mirava de longe o rio de sua infância. Menos que rio, um córrego de águas fracas. Estava na terra natal, também a fruir férias. No lusco-fusco da tarde morrente, viu, a beira-rio, uma criança. Parecia caminhar da margem em sua direção. Identificou os cachos. Percebeu a aura. Correu.

No lugar que imaginava ter visto seu pequeno e luminoso fantasma, encontrou o esperado fulgir de brasa. Recolheu e aspirou mais essa esperança.

Ao abrir os olhos, havia tomado uma decisão.

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