STF determina prisão definitiva de “kids pretos”

Alexandre de Moraes determina execução das penas após fim dos recursos; militares e um agente da PF foram condenados por planejar ações violentas para sustentar tentativa de golpe

Integrantes do grupo Kid Preto, acusado de articular ações golpistas, optaram por não responder às perguntas da PGR durante interrogatório no STF Foto: Divulgação/Exército

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão definitiva de integrantes do chamado “núcleo 3” da trama golpista investigada pela Corte. O grupo, formado por militares das Forças Especiais do Exército — conhecidos como “kids pretos” — e um agente da Polícia Federal, foi condenado por participação na tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022.

Alguns integrantes do grupo já estavam presos preventivamente e passaram apenas a cumprir definitivamente as penas determinadas pela Corte.

A decisão foi tomada após o esgotamento das possibilidades de recurso. Com a publicação do acórdão do julgamento, Moraes determinou o início da execução das penas.

No mês passado, a Primeira Turma do STF já havia rejeitado, por unanimidade, os últimos embargos apresentados pelas defesas dos condenados.

Planejamento de ações violentas

Segundo a acusação apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), o núcleo 3 da organização criminosa teria sido responsável por planejar as ações mais violentas da trama golpista.

Entre os planos investigados estava a preparação de operações táticas para sequestrar e assassinar autoridades da República, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o próprio ministro Alexandre de Moraes.

De acordo com a denúncia, o grupo também articulava pressão sobre o comando do Exército para forçar a adesão das Forças Armadas a um movimento que impediria a posse do governo eleito em 2022.

Penas que chegam a 24 anos de prisão

As condenações foram definidas pelo STF em julgamento realizado no ano passado. As penas aplicadas variam de 16 a 24 anos de prisão em regime inicial fechado para a maioria dos réus.

Entre os condenados estão:

  • Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel — 24 anos de prisão;
  • Rafael Martins de Oliveira, tenente-coronel — 21 anos;
  • Rodrigo Bezerra de Azevedo, tenente-coronel — 21 anos;
  • Wladimir Matos Soares, agente da Polícia Federal — 21 anos;
  • Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, tenente-coronel — 17 anos;
  • Bernardo Romão Corrêa Netto, coronel — 17 anos;
  • Fabrício Moreira de Bastos, coronel — 16 anos.

Organização criminosa armada

Ao rejeitar os recursos das defesas, Moraes afirmou que o julgamento demonstrou a existência de uma organização criminosa estruturada com o objetivo de subverter o resultado das eleições e impedir o funcionamento dos poderes constitucionais.

Segundo o ministro, o grupo atuou de forma articulada entre julho de 2021 e os episódios que culminaram nos ataques às instituições em Ataques de 8 de janeiro de 2023 no Brasil.

A decisão da Primeira Turma consolidou o entendimento de que houve divisão de tarefas entre os integrantes da organização e planejamento de ações para impedir a posse do governo eleito.

Com a execução das penas determinada pelo STF, o processo referente ao núcleo responsável pelas ações táticas da trama golpista entra em sua fase final.

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