Se a CPMI do INSS for prorrogada, deputados vão pedir suspeição do presidente

O ministro do STF André Mendonça deu prazo de 48 horas nesta segunda-feira (23) para que a CPMI seja prorrogada, mas a decisão será avaliada pelo plenário da Corte na quinta-feira (26)

Sessão da CPMI. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Caso os trabalhos da CPMI do INSS sejam prorrogados, deputados da comissão vão pedir suspeição do presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG). O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça deu prazo de 48 horas, nesta segunda-feira (23), para que a CPMI seja prorrogada, mas a decisão será avaliada pelo plenário da Corte na quinta-feira (26).

Integrante do colegiado, o deputado Rogério Correia (PT-MG) diz que ingressará com uma representação para afastar Viana do cargo de presidente da comissão por causa de sua relação com Fabiano Zettel, cunhado do dono do banco Master, Daniel Vorcaro, e com o pastor André Valadão, da Igreja da Lagoinha, em Minas Gerais.

“O banco Master foi autorizado durante o governo Bolsonaro a fazer crédito consignado dentro do INSS de aposentados e até do pessoal do Bolsa Família. Isso levou um rombo muito grande aos aposentados. Esse recurso teve lavagem de dinheiro em vários locais. Um deles é a Igreja da Lagoinha. É a igreja a que pertence o presidente da CPMI. Também lá estão o Zettel, que está preso, que é o sócio do Vorcaro, além do próprio Vorcaro”, diz.

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Ele lembra que Zettel doou R$ 5 milhões às campanhas de Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas. “No nosso entendimento, o senador Viana tem suspeição nesse caso. Na verdade, eu diria que ele tem um conflito de interesse”, afirma.

O deputado lembra também que Viana destinou R$ 3,6 milhões de emendas Pix para a Igreja Lagoinha. “Ele não vai, de forma alguma, permitir que avance aquilo que hoje é o centro da CPMI, que é o crédito consignado do Master. É tão sério que 240 mil aposentados tiveram anulados os seus contratos consignados. Esse foi o tamanho do prejuízo aos aposentados do INSS”, considera.

“Mantendo a prorrogação, nós vamos pedir a suspeição e a retirada do Viana da presidência desta CPMI por conflito de interesse e proteção óbvia, tanto do pastor Valadão quanto do pastor Zettel. Eles precisam responder como esses R$ 40 milhões entraram na igreja vindo do Master”, defende.

Segundo o parlamentar, outro problema é o interesse eleitoral na prorrogação da CPMI. Tanto Viana quanto o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), aparecem na lista de Flávio Bolsonaro (PL) como candidatos aliados ao seu campo.

“Ou seja, todos os dois têm interesse imediato em prorrogar para não fazer investigação, mas campanha eleitoral. Então, neste caso, nós teremos que mudar a direção da CPMI para fazer uma investigação isenta”, diz.

Para Correia, também não adianta estender a CPMI se o presidente se recusa a pautar requerimentos importantíssimos para se compreender as fraudes no crédito consignado. “Carlos Viana não pode continuar à frente da CPMI do INSS. Caso a prorrogação seja mantida, entraremos com um pedido de suspeição e solicitaremos sua retirada da presidência por conflito de interesse”, reforça.

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