Era uma vez…

  … numa terra chamada Brasil, um lindo bebê com o nome de Hip. Para ser mais completo, Hip-Hop Nacional.

Seus primeiros anos de vida anunciavam uma vida muito feliz, pois a imaginação e o sentimento do novo o inspirava a criar.

Devagarzinho, mas mais rápido do que se esperava, ele aprendeu a andar com as próprias pernas e assim percorreu lugares inatingíveis. Sem saber que era impossível, ele foi lá e fez, como diria o outro.

Precoce, já sem cócegas nem cócoras, logo na infância foi conhecido e reconhecido por todo o Brasil. Se envolveu com pessoas dos mais diferentes tipos, reunindo em si valiosas culturas.

Presente em toda quebrada que se preze, tornou-se referência para milhares de pessoas, salvando vidas e servindo de inspiração para duras lutas diárias.

Por andar sempre lado a lado com as camadas populares, os excluídos e marginalizados, tal qual Jesus, sofreu perseguição pelo racismo, pelo preconceito elitista e pela censura. Ao invés de desanimar, prosseguiu firme na caminhada, pois só lhe mostrou que estava no caminho certo.

Somente somos justos quando incomodamos a injustiça.

Com persistência e muito talento, consolidou-se na música, dança e pintura. Ganhou a cara do Brasil e fez com que o Brasil fosse também um pouco a sua cara. Contundente, fazendo da arte uma arma, provou que um mundo melhor sempre será possível enquanto houver a luta dos excluídos. O nosso país é com certeza um pouco melhor por causa dele.

Ultimamente, contrariando o que os críticos que sempre lhe apregoaram, passou a andar lada-a-lado com a literatura. Anda enchendo a boca para falar de poesia!
Aí já é muito abuso…

André Ebner Silva é adepto da cultura hip-hop e da literatura periférica, é engenheiro aeronáutico.

É Tudo Nosso! Parte 13 – Maranhão


 

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